“Correu tudo mal”. Escândalo com abonos de família leva a demissão do Governo dos Países Baixos

Depois de ser conhecido o escândalo que envolveu milhares de famílias falsamente acusadas de fraude na atribuição de abonos, o executivo de Mark Rutte acabou por se demitir, apesar do primeiro-ministro ter inicialmente manifestado uma vontade contrária. O Governo ficará agora em gestão até às eleições de março.

Mark Rutte

O executivo holandês demitiu-se esta sexta-feira, na sequência do escândalo envolvendo a perseguição do fisco daquele país a supostas fraudes no pedido de abonos de família em situações de meros erros administrativos na sua submissão. A decisão foi anunciada em conferência de imprensa e era já esperada, dada a tensão que gerou na coligação que liderava o Governo.

Mark Rutte, líder do executivo, reconheceu que “correu tudo mal” neste caso.

“Pessoas inocentes foram criminalizadas, as suas vidas foram destruídas e a Câmara [dos Representantes] foi incorreta e incompletamente informada sobre o assunto”, afirmou Rutte no seu discurso de resignação.

Apesar de o primeiro-ministro se ter mostrado relutante em dissolver a atual solução governativa, uma coligação de direita formada por quatro partidos, tornou-se evidente nos últimos dias que os parceiros de governação não aceitariam manter-se no cargo, reconhecendo que as consequências políticas do escândalo teriam de ser assumidas.

Realizar-se-ão assim eleições gerais em março, sendo que o partido de Rutte, o Partido Popular para a Liberdade e Democracia (VVD), continua destacado nas sondagens. Isto sucede apesar desta polémica, mas também das impopulares medidas de confinamento que os Países Baixos tiveram de adotar recentemente.

A decisão de avançar para a demissão foi também pressionada pela atitude do antigo ministro dos assuntos sociais durante o período inicial destas investigações pelo fisco, Lodewijk Asscher. O atual líder trabalhista e da oposição havia já abandonado a liderança do seu partido esta quarta-feira.

Rutte fez igualmente saber que não tem intenções de se demitir como líder do VVD.

O Governo dos Países Baixos foi abalado por um relatório divulgado no passado mês de dezembro que apontava para mais de 26 mil famílias erradamente acusadas de fraude no pedido de abono de família. Destas, mais de 11 mil são de dupla nacionalidade, o que sugere um foco desproporcional sobre cidadãos estrangeiros a viver no país.

As famílias acusadas foram obrigadas a repor os valores das prestações sociais que lhes haviam sido pagas, sendo que, em muitos casos, a situação obrigou estes cidadãos a venderem as suas casas, tendo mesmo levado a bancarrotas pessoais e divórcios.

O executivo irá agora ficar na gestão do país, que se encontra numa situação delicada devido à pandemia de Covid-19.

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