Crédito automóvel é o tipo de financiamento que mais cresceu em Portugal desde 2013

O estudo “Impacto do crédito ao consumo na economia portuguesa”, realizado em conjunto pela  Nova School of Business and Economics (Nova SBE) e da Associação de Instituições de Crédito Especializado (ASFAC) conclui que, dentro do crédito pessoal, o financiamento para a compra de automóvel é o que mais cresceu desde 2013.

Desde 2013, ano em o crédito ao consumo começou a recuperar e o índice de confiança dos portugueses começou a melhorar, o segmento de crédito que mais cresceu em Portugal foi o crédito automóvel, isto é, o financiamento pessoal destinado à compra de um automóvel.

Em 2018, ano em que as novas operações de crédito ao consumo cresceu 10,1% por comparação com o ano anterior, o crédito automóvel representou 42,4% da totalidade das novas operações de crédito em Portugal, apenas superado pelo crédito pessoal, que se fixou em 42,9%.

Esta é umas das conclusões do estudo intitulado “Impacto do crédito ao consumo na economia portuguesa”, realizado em conjunto pela Nova SBE e da Associação de Instituições de Crédito Especializado ASFAC e que foi, esta terça-feira, apresentado no campus da Nova SBE, em Carcavelos.

Entre 2013 e 2018, o estudo analisou o crédito especializado e os seus sub-segmentos de crédito ao consumo, crédito automóvel, crédito renovável, contrato de conversão de dívidas e crédito a fornecedores.

Segundo o estudo, as novas operações de crédito apresentam uma tendência crescente a partir de 2013, ano em que cresceram 14,8% por comparação com ano anterior. Há seis anos, o crédito automóvel representava pouco mais de um terço da totalidade das novas operações crédito, mas tem vindo a aumentar desde então.

“A tendência de melhoria registada desde 2013 na confiança dos consumidores refletiu-se nos gastos das famílias, tendo aumentado o consumo privado”, lê-se no estudo. “As vendas de automóveis, por exemplo, cresceram 5% nesse ano [em 2013] depois de dois anos consecutivos a cair”.

No entanto, apenas um quinto do crédito concedido às famílias é destinado ao consumo. No período em análise, entre 2013 e 2018, o estudo da Nova SBE e da ASFAC revela que o crédito à habitação domina o crédito em Portugal, com 79%. Já o crédito ao consumo representa 21%.

Valor médio mensal do crédito ao consumo cresce sucessivamente

Em termos valor, o estudo demonstra que, em média, o financiamento ao consumo privado em Portugal tem vindo a crescer sucessivamente deste 2013.

O estudo remonta ao ano de 2010, “ano em que precedeu a contração do mercado do crédito aos consumidores”, com o crédito ao consumo mensal a situar-se nos 456,8 milhões de euros, em média. No entanto, oito anos volvidos, em 2018, “foram concedidos, em média, mais de 150 milhões de euros por mês”, para 612,9 milhões de euros.

No entretanto, fica plasmada a tendência de crescimento. Em 2013, o crédito ao consumo mensal foi, em média, cerca de 40 milhões de euros superior ao ano de 2012, tendo-se fixado em 308,7 milhões. No ano seguinte subiu para 344 milhões. Em 2015, passou a fasquia dos 400 milhões, situando-se em 423 milhões e, em 2016, aproximou-se dos 500 milhões. Em 2017, o crédito ao consumo ascendeu a 556,9 milhões.

Impacto do crédito especializado teve impacto entre 300 a 573 milhões de euros no PIB 

Outras das conclusões do estudo prende-se com o impacto do crédito especializado no PIB português. O estudo estima que o impacto do crédito especializado tenha um impacto entre 300 a 573 milhões de euros na economia portuguesa.

No caso crédito de natureza temporária e inesperada, o aumento “na oferta de crédito das associadas da ASFAC em 1% aumenta o PIB em 0,05%, após um ano, e em 0,1% após dois anos”, destaca o estudo.

“Isto significa que a oferta de crédito das associadas ASFAC tem um impacto significativo no nível de atividade da economia portuguesa no curto e médio prazo”.

Mas, se a oferta de crédito for sustentada ao longo do tempo, o impacto no PIB sobe para 0,6% após dois anos, e para 1,15% após cinco anos.

“Um euro a mais de concessão de crédito das associadas da ASFAC traduz-se em aproximadamente um euro passado um ano, e um 1,5 euros passados dois anos”, revela o estudo.

 

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