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Descida da EURIBOR muda perfil dos créditos habitação: portugueses voltam a apostar nas taxas variáveis

Descida da Euribor altera o mercado de crédito habitação: portugueses voltam às taxas variáveis, reduzem montantes financiados e reforçam a procura por melhores condições.
Como analisar uma simulação de crédito habitação e escolher a melhor opção
7 Novembro 2025, 09h49

Em outubro de 2025, o mercado de crédito à habitação em Portugal evidenciou uma mudança significativa no perfil das escolhas dos consumidores, impulsionada pelo comportamento das taxas EURIBOR. Dados da análise de mercado do ComparaJá revelam que as taxas variáveis voltaram a ganhar força, atingindo 31,3% do total dos contratos firmados, um aumento de 3,2 pontos percentuais face a setembro e um expressivo crescimento de 25,2 pontos percentuais em relação a outubro de 2024.

Esta mudança na preferência é motivada principalmente pela descida das taxas Euribor, que influenciam diretamente o custo dos juros para os mutuários. A EURIBOR a 6 meses, por exemplo, subiu ligeiramente para 42,2%, enquanto a EURIBOR a 12 meses, que domina os contratos, perdeu peso, descendo para 54,2%. Este movimento sugere que os portugueses estão a apostar mais na variação dos juros, confiando numa tendência de queda dos custos nos próximos meses, o que favorece a opção por taxas variáveis.

Pedro Castro, Head of Operations de Crédito Habitação no ComparaJá, destaca a importância dessa mudança para o acesso ao crédito habitação. “Cerca de 40% dos jovens até aos 35 anos recorreram à garantia pública para conseguir comprar casa, uma solução que facilita o acesso ao crédito, mas que pode implicar condições diferentes. Ter apoio para entrar no mercado faz a diferença, mas comparar propostas continua a ser essencial para encontrar o equilíbrio certo entre acesso, custo e segurança”  Esta análise reforça a necessidade de os consumidores serem criteriosos e atentos às condições oferecidas pelas instituições financeiras, especialmente num contexto económico marcado pela volatilidade das taxas de juro.

Outra tendência relevante observada no relatório é a queda significativa no montante médio dos créditos concedidos, que passou para 174.469 euros em outubro, representando uma redução mensal de cerca de 42 mil euros. Este comportamento reflete a estratégia dos portugueses de reduzir o custo total do crédito, optando por períodos de empréstimo mais curtos e prestações mais controladas.

No geral, a crescente procura por taxas variáveis acompanhada pela redução no montante financiado demonstra que os consumidores estão mais cautelosos e informados, valorizando tanto a poupança como a flexibilidade financeira. A transferência de créditos, que cresceu para 41%, também revela uma atenção maior ao mercado e uma tentativa de renegociação das condições existentes.

Este dinamismo do mercado, aliado à necessidade de garantir decisões equilibradas reflete que os portugueses têm cada vez mais literacia financeira e procuram decisões conscientes e saudáveis para as economias de cada casa. 


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