“Donald Trump é um presidente imoral”, diz ex-conselheiro da Casa Branca

Sobre as publicações de Donald Trump nas redes sociais, o antigo conselheiro de segurança explicou que “é a forma dele ser, mas não sou louco, não vou explicar porque é assim”.

Donald Trump

Em setembro de 2019, John Bolton,  então consultor de Segurança Nacional dos EUA, abandonou a Casa Branca, e agora revelou a sua experiência num livro.

Em entrevista ao El País, John Bolton considerou Donald Trump “um presidente amoral”.

Integrou os governos Bush, tanto do pai como do filho, e mais tarde assumiu o cargo de consultor de Segurança Nacional no executivo de Donald Trump com um discurso feroz contra o Irão. Durante o tempo em que trabalhou para Trump, John Bolton assumiu-se também como um crítico de organizações como a ONU ou o partido Republicano.

Em entrevista ao El País, sobre o livro ‘A Sala Onde Aconteceu’ que o executivo do presidente americano tentou que não fosse publicado, John Bolton descreveu Donald Trump como “um presidente imoral, que se concentra nas coisas que o ajudam a reeleger, sem necessariamente confiar no que é melhor para os democratas dos EUA”.

Sobre as publicações de Donald Trump no Twitter, o antigo conselheiro de segurança explicou que “é a forma dele ser, mas não sou louco, não vou explicar porque é assim”. “O que importa é a maneira de se comportar e [Donald Trump] sempre foi assim, segundo pessoas que o conhecem há décadas”, contou John Bolton.

“Há uma parte do que ele faz que acho que é representação”, apontou John Bolton que acredita que Donald Trump, com as suas atitudes, demonstra não ter “pensamento com base em um filosofia ou política”. John Bolton assegurou ainda que o presidente americano comporta-se de acordo com o que sente no dia.

Quanto aos conhecimentos de história do presidente americano, John Bolton apontou que Trump tem poucos conhecimentos e pouco interesse. “Expliquei-lhe uma dúzia de vezes que a península coreana foi dividida em 1945, mas ele nunca reteve”, lembra.  “Noutras circunstâncias não consegui intervir, tal como quando [Donald Trump] perguntou a Theresa May se o Reino Unido realmente era uma potência nuclear”.

A China também outro tema abordado por John Bolton que recordou que “durante três anos, Trump tentou negociar um acordo comercial”. “Se vencer em novembro, poderá pedir que [o acordo comercial] regresse à mesa de negociações no dia seguinte. Houve uma mudança na opinião pública americana sobre a China. Nos últimos 30 ou 40 anos, desenvolvemos uma política baseada em premissas que mostraram-se incorretas, portanto precisamos de novas políticas que estão a ser discutidas agora, mas isso não significa que Trump esteja totalmente envolvido no que o seu governo faz sobre esse assunto”, garantiu John Bolton.

O antigo conselheiro de segurança indicou também Jared Kushner, genro de Trump, como a pessoa mais influente do executivo e lamentou não ter sido capaz de impedir o presidente dos EUA “de fazer coisas que, em última análise, não beneficiaram a segurança nacional, como as negociações com Kim Jong-un”.

“Na melhor das hipóteses foram uma perda de tempo e na pior das hipóteses deram à Coreia do Norte mais dois anos para avançar com os seus mísseis e programas nucleares”, alerta John Bolton.

Ler mais

Relacionadas

Trump dá 45 dias à Microsoft para fechar aquisição da rede social chinesa Tik Tok

Microsoft anunciou no domingo que vai prosseguir diálogo com a dona do Tik Tok, depois de o presidente executivo da tecnológica, Satya Nadella, ter reunido com Trump. Na sexta-feira, o presidente dos EUA tinha anunciado a intenção de proibir o uso do Tik Tok nos Estados Unidos.

Trump desiste de adiar as eleições e regressa ao combate à China

A Casa Branca quer ultrapassar o ruído causado pela possibilidade do adiamento das eleições. Entretanto, o presidente vai esta semana dirigir o combate contra as empresa chinesas de software que, diz, estão a colocar em perigo a segurança nacional.
Recomendadas

Governo da Madeira adjudicou empréstimo de 458 milhões de euros sem aval do Estado

A Região Autónoma da Madeira foi autorizada em sede de Orçamento Suplementar do Estado a contrair um empréstimo até 10% do PIB regional de 2018 – 495 milhões de euros – para fazer face à crise provocada pela pandemia.

Vindimas 2020: No Dão, menos rendimento, mas vinhos “fantásticos”

No Dão, a realidade foi semelhante, como região de clima moderado a frio a antecipação foi ainda superior, sendo de cerca 3 semanas.

Portugueses mais preocupados com poupança e com “desconforto” para contrair empréstimos

O inquérito “Observatório Tendências 2020”, realizado pelo Grupo Ageas Portugal e e a Eurogoup Consulting Portugal, concluiu que 39% dos inquiridos sentiram um aumento das necessidades de poupança por causa da pandemia e que preferem não contrair um empréstimos nos próximos meses.
Comentários