Economia angolana cresce 1,3% em 2021 e quebra cinco anos de recessão, estima Capital Economics

Quanto à inflação, o índice dos preços no consumidor deverá crescer 25,0% este ano, 19,3% no próximo e 15,3% no seguinte, de acordo com as previsões da consultora sediada em Londres.

A consultora Capital Economics prevê que a economia angolana cresça 1,3% este ano, saindo da recessão da recessão registada nos últimos cinco anos, mas assinalou que “o crescimento será limitado por políticas fiscais e monetárias apertadas”.

“Angola vai provavelmente sair de uma recessão de cinco anos este ano, mas o crescimento será limitado por políticas fiscais e monetárias apertadas”, referem os analistas numa nota consultada este domingo pela Lusa.

No documento, a Capital Economics apresenta também as suas previsões, estimando para este ano um crescimento de 1,3% do PIB de Angola, que deverá crescer 4,5% em 2022 e 2,0% em 2023.

Quanto à inflação, o índice dos preços no consumidor deverá crescer 25,0% este ano, 19,3% no próximo e 15,3% no seguinte, de acordo com as previsões da consultora sediada em Londres.

“O setor chave do petróleo deverá recuperar gradualmente à medida que as quotas da OPEP+ forem diminuindo; esperamos que a produção suba de mínimos em anos de 1,1 milhões de barris por dia no segundo trimestre, para 1,3 milhões de barris por dia pelo final do ano”, escrevem, acrescentando que “isto deverá tornar positiva a contribuição do setor petrolífero para o crescimento, pelo menos até ao próximo ano”.

Da mesma forma, os analistas apontam que a recuperação do preço do barril de petróleo vai ajudar a melhorar os balanços de Angola, incluindo através do alargamento do excedente orçamental primário e da redução do peso da dívida pública — de 127% do PIB em 2020 para cerca de 100% este ano.

No entanto, alertam que “as autoridades terão de se cingir à consolidação fiscal, o que pesará sobre a procura”.

Os analistas estimam também uma crescente desvalorização do Kwanza face ao dólar nos próximos anos.

As previsões da Capital Economics estimam que o Kwanza, que atualmente tem um câmbio de cerca de 640 kwanzas por dólar, desvalorize para 700 kwanzas por dólar até ao final do ano, mantendo-se esta tendência para 2022 (750 kwanzas por dólar) e 2023 (800 kwanzas por dólar).

O crescimento previsto para Angola fica abaixo do estimado para todas as economias da África Subsaariana pela Capital Economics.

Além de ter um crescimento para 2021 inferior a Nigéria (3,0%), África do Sul (4,3%), Etiópia (2,0%) e Quénia (6,5%), os países que surgem acima de Angola como tendo um PIB superior, o país fica também abaixo da média para a África Subsaariana, que a consultora prevê expandir-se 4,0% este ano.

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