As exportações portuguesas fecharam 2025 com um crescimento de 0,5%, isto apesar da tempestade tarifária desencadeada pela administração norte-americana e subsequente queda das vendas para aquele mercado. Em contraponto, as importações aceleraram acima das vendas ao exterior, levando a um novo agravamento da balança comercial.
As exportações nacionais desaceleraram de 2% de avanço em 2024 para 0,5% no ano que agora fechou, mas mantiveram uma evolução positiva num contexto global altamente adverso criado pelas tarifas impostas pelos EUA, chegando assim a 79.312 milhões de euros, ou mais 417 milhões do que no ano anterior. O mercado norte-americano, que vinha ganhando importância nas exportações nacionais, sobretudo em sectores específicos, quebrou 13,4%, mas nem assim evitou novo crescimento do indicador.
Em termos de quota de mercado, o destino EUA manteve-se como o quarto principal em termos gerais e o mais importante fora da UE, mas perdeu 0,9 pontos percentuais (pp), representando agora 5,8% das exportações portuguesas.
Além dos EUA, as vendas para o Reino Unido, Itália, Países Baixos e Marrocos recuaram em comparação com o ano anterior, detalha a nota do INE publicada esta segunda-feira, com destaque para a quebra de 10,1% nas exportações para os parceiros marroquinos. Em sentido inverso, a Alemanha, que se manteve como segundo destino principal das exportações nacionais, acelerou 14,5%.
Também Espanha, principal parceiro comercial português, viu um crescimento de 0,6% nas exportações, enquanto França, o terceiro principal destino nacional, registou um aumento marginal de 0,1%. No top-10, Bélgica e Polónia também viram incrementos de 0,9% e 2%, respetivamente.
Olhando para os bens que dominaram as vendas nacionais ao exterior, os fornecimentos industriais ocuparam o primeiro lugar da lista, com 26,2 mil milhões de euros e 33% do volume do total, seguidos do material de transporte e bens de consumo, com 17,4% e 17,2%, respetivamente. Em termos de variação, a categoria que mais cresceu foi também a dos fornecimentos industriais, que acelerou 4,2%, enquanto os combustíveis e lubrificantes foram a que mais recuou, com um decréscimo de 26%.
Do lado das importações, Espanha representa quase um terço do bolo, com 32,9% e um crescimento de 3,9%, enquanto Alemanha e França fecham o top 3, com aumentos de 9% e 4,9%, respetivamente. Destaque ainda para a China, cujas vendas para Portugal aumentaram 14,6%, permitindo ultrapassar Itália na quinta posição dos fornecedores externos nacionais.
Em sentido contrário, de notar que o Brasil viu as encomendas portuguesas caírem 27,9%, o que reflete sobretudo a diminuição na categoria de combustíveis e lubrificantes via “reduções nas quantidades transacionadas e também dos preços”, caindo assim de sétimo para nono lugar no ranking das importações portuguesas.
Também os EUA registaram uma diminuição em termos de volume de 1%, caindo do nono para o décimo lugar.
Contas feitas, o saldo da balança comercial voltou a agravar-se: os 32.100 milhões de euros de défice são mais 3.752 milhões do que no ano anterior, fruto de uma aceleração maior do lado das importações do que das exportações. Apesar de ser a categoria que domina as exportações, os fornecimentos industriais são também onde o défice é mais profundo, com 6.900 milhões de euros.
[notícia atualizada às 12h22]
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