Jerónimo de Sousa sobre a Festa do Avante: “Não se faz por questões financeiras, mas para dar esperança”

O dirigente comunista assegurou que a Festa do Avante! é “necessária para dar esperança e confiança na luta pelo futuro”, e lamentou que haja “quem queira dar passos no ataque a direitos e liberdades fundamentais” dos portugueses e dos trabalhadores.

Cristina Bernardo

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, garantiu hoje que o partido não faz a Festa do Avante! por questões financeiras, mas para dar um sinal de esperança e de convivência em segurança face à pandemia de covid-19.

“Não se faz a Festa [do Avante!] para garantir o privilégio ou ganhos financeiros, como caluniosamente se insinua. A Festa, no contexto político excecional que vivemos, tem uma importância e um valor acrescido na afirmação da nossa vida democrática e o seu êxito será um contributo para a luta do nosso povo, para combater o medo e a resignação”, afirmou Jerónimo de Sousa, num jantar comício em Vila Real de Santo António, no Algarve.

O dirigente comunista assegurou que a Festa do Avante! é “necessária para dar esperança e confiança na luta pelo futuro”, e lamentou que haja “quem queira dar passos no ataque a direitos e liberdades fundamentais” dos portugueses e dos trabalhadores.

“Há quem esteja muito interessado no alimento de forças obscurantistas e tudo agarre como pretexto para esse fim”, criticou, sublinhando que “há quem fomente o medo” e queira ver os trabalhadores “resignados, porque isso serve os seus interesses de classe, os grandes interesses económicos e financeiros que querem ter campo livre para impor as políticas de retrocesso económico e social e de domínio a que aspiram”.

“Saberemos preparar a Festa com as medidas de proteção necessárias”, afirmou, destacando que será “uma Festa que se reinventa com mais espaço, mais soluções, mais organização, mais medidas de proteção e medidas suplementares de higiene e limpeza, e com um conteúdo político e cultural sem paralelo na vida nacional”.

Jerónimo de Sousa espera que a Festa do Avante! seja um local “da amizade, da solidariedade e da fraternidade para dar confiança à vida, à ação e à luta dos trabalhadores e do povo”, e deixou uma palavra aos residentes no Algarve para, “nestes tempos complexos e difíceis”, continuarem “a intervir e agir em defesa dos trabalhadores e das populações”.

O secretário-geral do PCP lembrou que o comício jantar em Vila Real de Santo António substituiu o habitual almoço convívio que se realiza em 15 de agosto em Monte Gordo, mas sublinhou que o partido “não desistiu” de fazer esta ação, embora por questões sanitárias tenha mudado o encontro para a Praça Marquês de Pombal, cumprindo as normas de segurança necessárias.

“Não, não desistimos, nem podemos desistir sejam quais forem as circunstâncias. Havemos de encontrar sempre as soluções, tomando as medidas que se impõem, nomeadamente as da salvaguarda da saúde”, afirmou.

Jerónimo de Sousa acrescentou que, tal como o partido não desistiu desta iniciativa, “tomando as medidas de proteção necessárias”, assim “se fará também com a Festa do Avante!”.

PCP anunciou na sexta-feira que vai limitar a entrada na sua anual Festa do Avante! a um terço da capacidade total, ou seja, para cerca de 33 mil pessoas, em virtude do contexto de pandemia.

O espaço de 30 hectares das Quinta da Atalaia e do Cabo da Marinha, na Amora, vai proporcionar cerca de nove m2 para cada militante ou visitante, entre 04 e 06 de setembro.

Em comunicado, os comunistas, que têm estado em contacto com a Direção-Geral da Saúde nos preparativos para o seu 44.º certame, garantiram “toda a responsabilidade” e “condições” para o “usufruto em tranquilidade e segurança”.

No mesmo dia, a Direção-Geral da Saúde indicou, em nota de imprensa, que o plano de contingência do PCP para a Festa do Avante! vai ser “analisado tecnicamente” nos próximos dias.

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