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Lula denuncia aos BRICS “chantagem tarifária” dos EUA e presença militar no Caribe

“A chantagem tarifária está sendo normalizada como instrumento para conquista de mercados e para interferir em questões domésticas”, disse o chefe de Estado brasileiro, de acordo com o discurso divulgado hoje pela Presidência brasileira.
epa12221337 Indian Prime Minister Narendra Modi (L), Brazilian President Luiz Inacio Lula da Silva (C) and South African President Cyril Ramaphosa attend the BRICS summit in Rio de Janeiro, Brazil 06 July 2025. The BRICS began their first summit on 06 July in Rio de Janeiro since the forum expanded from five to eleven members, amid tensions generated by the trade war unleashed by US President Donald Trump and the conflicts in the Middle East and Ukraine. EPA/ANTONIO LACERDA
8 Setembro 2025, 18h10

O Presidente brasileiro, Lula da Silva, denunciou a “chantagem tarifária” dos Estados Unidos ao Brasil e criticou a presença militar norte-americana no Caribe durante uma cimeira virtual do BRICS hoje realizada.

“A chantagem tarifária está sendo normalizada como instrumento para conquista de mercados e para interferir em questões domésticas”, disse o chefe de Estado brasileiro, de acordo com o discurso divulgado hoje pela Presidência brasileira.

Segundo o chefe de Estado brasileiro, “a imposição de medidas extraterritoriais ameaça” as instituições brasileiras e restringe a “liberdade de fortalecer o comércio com países amigos”.

Os Estados Unidos impuseram tarifas de 50% a vários produtos brasileiros e ainda sanções a várias autoridades brasileiras, entre as quais o juiz Alexandre de Moraes, relator do processo contra o ex-Presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, que deverá ser concluído até sexta-feira.

Na declaração na reunião convocada pelo Brasil, e traduzida em inglês no canal oficial da Presidência sul-africana no YouTube, Lula da Silva criticou também a presença militar norte-americana no Caribe, afirmando que “a presença das forças armadas da maior potência mundial no mar do Caribe é um fator de tensão incompatível com a vocação de paz da região”.

Lula da Silva realçou que a América Latina e o Caribe são uma região de paz desde a assinatura, em 1968, do Tratado de Tlatelolco, que consagrou a proibição do uso de armas nucleares na região.

O chefe de Estado brasileiro aludia ao recente destacamento militar dos Estados Unidos no Caribe, que inclui oito navios militares com mísseis e um submarino de propulsão nuclear, em águas próximas à Venezuela.

As tensões aumentaram na semana passada após o ataque realizado pelas forças dos Estados Unidos contra uma lancha que supostamente havia partido da Venezuela com onze pessoas a bordo e que, segundo Washington, eram traficantes de drogas.

Na intervenção na cimeira virtual, Lula também exortou os BRICS a continuarem a defender o multilateralismo “com uma só voz” nos fóruns internacionais e, em especial, nas Nações Unidas.

“Dividir para conquistar é a estratégia do unilateralismo. Cabe ao BRICS mostrar que a cooperação supera qualquer forma de rivalidade”, disse.

O Presidente brasileiro pediu ainda o apoio dos BRICS aos esforços do Brasil para impulsionar a ampliação do Conselho de Segurança da ONU, uma antiga aspiração do país sul-americano.

O BRICS é um grupo criado em 2009, atualmente composto por 11 economias emergentes e que funciona como um fórum de articulação e cooperação do Sul Global, centrado no desenvolvimento económico, político e social.

Além dos cinco fundadores – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul -, tem também como Estados-membros Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irão.

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