Ministra da Justiça assume que não será fácil apurar fraudes na vacinação

A ministra revela que será difícil agir criminalmente sobre quem passou à frente no processo, a não ser nos casos em que há um claro benefício em função de relações de proximidade familiar, ou outra.

Manuel de Almeida/Lusa

A Ministra da Justiça afirma que no caso das vacinações Covid-19 fraudulentas “não será muito fácil fazer a avaliação do ponto de vista criminal” e admite que “se tenham verificado situações em que faz mais sentido usar a vacina do que desperdiçá-la”.

Em entrevista ao jornal “Público“, publicada este domingo, Francisca Van Dunem reconheceu que a polémica em torno das vacinas é condicionada para vários fatores e “os casos terão de ser analisados um a um“. Um desses fatores é, por exemplo, o facto de as doses se estragarem “se não forem usadas”, sublinha a ministra.

“Admito que se tenham verificado situações em que faz mais sentido usar a vacina no senhor da pastelaria do que desperdiçá-la”, afirmou a governante, acrescentando que “perante uma realidade que não é imediatamente percecionada como crime as autoridades tenham maior prudência. Claro que havendo dúvidas cabe às autoridades investigar, criando alguma paz social”

Entre janeiro e fevereiro, multiplicaram-se por Portugal os casos polémicos de vacinação indevida de responsáveis políticos e administrativos, que passaram à frente dos grupos prioritários, bem como situações em que pessoas sem qualquer relação com a vacinação prioritária foram imunizadas para evitar que as doses fossem inutilizadas

No final de fevereiro, o Ministério Público já tinha instaurado 33 inquéritos para averiguar irregularidades na vacinação, incluindo três casos que envolviam autarcas: Portimão, Reguengos de Monsaraz e Lisboa. Vários outros casos envolveram administradores hospitalares, tanto no setor público como no setor privado.

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