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Motor alemão está a aquecer, acredita BNP Paribas

A quebra da produção industrial no último mês do ano passado “é enganadora”, afirma o banco francês, que já vê “o início de um novo ciclo industrial” mais virado para o mercado doméstico.
Berlim, Alemanha
10 Fevereiro 2026, 11h49

As notícias sobre a economia alemã podem ainda não tranquilizar totalmente a Europa, mas o BNP Paribas sinaliza que há razões para otimismo.

O banco francês começa por notar que a produção industrial aumentou 0,9% nos últimos três meses do ano, após dois trimestres de recuo, e desvaloriza a queda mensal registada em dezembro (-1,9%). “Esse recuo, impulsionado sobretudo pelo setor automóvel, esconde melhorias em curso na maioria dos outros segmentos da indústria”, nomeadamente ao nível do equipamento de transporte, em produtos metálicos e na eletrónica, pode ler-se na nota assinada por dois economistas do banco.

“Espera-se que esses ganhos se aprofundem nos próximos meses, graças a um forte aumento das novas encomendas de bens de capital”, acrescenta o banco, que interpreta estes dados como “um sinal do início de um novo ciclo industrial, cada vez mais impulsionado pela procura interna”.

Além disso, a produção na construção “também aumentou de forma acentuada em dezembro e no 4.º trimestre”, incluindo a engenharia civil, que cresceu 1,7% de setembro a dezembro — “o melhor trimestre desde o início da série (1991)”.

Mas não fica por aqui, porque a Alemanha “está nas fases iniciais de um impulso de investimento sem precedentes”. As novas encomendas industriais “continuaram a recuperar em dezembro de 2025, após a forte subida iniciada em novembro”, tendo aumentado 14% em dois meses. Uma subida que se deve, “sobretudo, aos bens de capital para o mercado interno (+31,7%), cujo nível atingiu um máximo histórico em dezembro”.

“Nos últimos dois meses, os produtos metálicos, os equipamentos elétricos e eletrónicos, bem como as máquinas e equipamentos, foram os setores com crescimento mais rápido, enquanto os bens de consumo, em particular automóveis, produtos farmacêuticos e têxteis, permaneceram fracos”, sublinha o banco.

Em simultâneo, “começa a desenhar-se uma recuperação das exportações, com um valor sólido em dezembro e uma retoma das novas encomendas externas — embora menos robusta do que no mercado interno”.

A recuperação no último mês do ano deveu-se sobretudo ao aumento das exportações para a China e para os Estados Unidos. “Este retrato pontual, no entanto, não reflete a evolução do conjunto do ano: o crescimento total das exportações foi modesto, cerca de 1,1%, com quedas de 9,3% nas exportações para os Estados Unidos e para a China, enquanto as exportações para a União Europeia registaram uma recuperação próxima de 4% (após dois anos de queda)”, ressalva. “Tendo em conta os dados das novas encomendas industriais, a melhoria observada em dezembro poderá prolongar-se em 2026”, acredita o banco, “embora de forma menos intensa do que a componente doméstica”.

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