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“Musk? Devia continuar a discussão para ter mais 50 milhões de publicidade grátis”, diz CEO da Ryanair

Quem diria que uma pequena antena no topo de um avião iria gerar uma discussão acessa entre dois empresários muito mediáticos? Michael O’Leary fez uma confissão esta quarta-feira: está habituado a ser insultado pelos seus filhos.
Cristina Bernardo
28 Janeiro 2026, 17h32

“Estamos a ouvir agora os barulhentos satélites da Starlink de Elon Musk…”, disse o presidente da Ryanair esta quarta-feira numa sala de hotel no centro de Lisboa quando passava um avião.

Foi lançado assim na conferência de imprensa o tema da discussão muito pública entre o gestor irlandês e a pessoa mais rica do mundo, dona da Tesla, SpaceX e Starlink.

Tudo começou quando o gestor rejeitou a possibilidade de instalar internet nos seus aviões recorrendo ao sistema de satélites Starlink, de Elon Musk, como fizeram a Lufthansa e a British Airways.

Nas suas contas, isto vai ter um custo anual de 200 milhões à custa do aumento do consumo de combustível, por instalar uma antena no topo do avião, que pesa 5 mil milhões de dólares por ano.

Elon Musk criticou as suas declarações, insultou-o e ameaçou comprar a Ryanair, com o líder da companhia celta a recordá-lo que é impossível um cidadão de fora da UE/EFTA deter a maioria de uma companhia da UE.

“Até a Grok [plataforma de inteligência artificial da xAI de Elon Musk] confirma que a Ryanair está correta: colocar uma antena no exterior do avião aumenta o consumo de combustível com um custo de 200 milhões de dólares por ano”, afirmou hoje Michael O’Leary em conferência de imprensa em Lisboa.

Elon Musk conta com uma fortuna de 770 mil milhões de dólares. A Ryanair é a maior companhia aérea da Europa com 650 aviões.

Em contas anteriores, estimou que só o custo de instalar o sistema nos seus aviões teria um custo de 250 milhões de euros.

“Temos falado com a Starlink, Amazon e Vodafone. A tecnologia ainda não chegou lá, ainda precisa da antena no topo do avião, o que aumenta o consumo de combustível Na opinião da Starlink, 60% dos passageiros vão pagar 4 ou 5 euros para ter acesso. Na nossa opinião, menos de 5% vai pagar”, afirmou, apontando que os passageiros já têm filmes e séries guardados nos aparelhos eletrónicos para verem durante o voo.

“Se for grátis, as pessoas vão usar. Virá a ser grátis daqui a 4/5 anos quando a tecnologia melhorar e a ligação for na frente ou na traseira do avião, algo que não involve fazer buracos e fixar a antena no topo do avião. Não vamos pagar pelo aumento do consumo de combustível. Um dólar por passageiro, não estamos dispostos a pagar. A tecnologia vai melhorar nos próximos anos”, acrescentou.

Sobre o insulto de Elon Musk, Michael O’Leary diz que está habituado a ser insultado… em casa, pelos seus próprios filhos.

“Elon Musk chamou-me ‘parvo atrasado’. A melhor reação que tive foi do meu filho de 16 anos que enviou-me uma mensagem a dizer: ‘como se atreveu a insultar-te? Esse é o meu trabalho’. Não há nada que o Musk me chame que os meus filhos adolescentes não me chamem diariamente”, disparou.

Feitas as contas da discussão pública, respondeu com uma espécie de ‘mal ou bem, falem de mim’, isto é, toda a publicidade é boa. “Estou muito grato: gerou 50 milhões de dólares de publicidade grátis nas últimas duas semanas. Devíamos arranjar forma da disputa continuar para gerar mais 50 milhões de publicidade grátis”.

“As visitas ao nosso website a partir dos EUA dispararam 200% e as reservas subiram mais 3% face ao esperado. Pode não ter sido bom para a minha reputação, mas também não acho que seja boa de qualquer forma, não me interessa”, concluiu.

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