Oficial. Mário Centeno deixa o Governo. João Leão nas Finanças

Depois de cinco anos como ministro das Finanças de António Costa, Mário Centeno vai deixar o Governo, deixando como marca o primeiro excedente orçamental em 47 anos.

Cristina Bernardo

Mário Centeno saiu do Governo de António Costa, segundo comunicado da presidência da República.

“O Presidente da República recebeu do Primeiro-Ministro as propostas de exoneração, a seu pedido, do Ministro de Estado e das Finanças, Professor Doutor Mário Centeno, e de nomeação, em sua substituição, do Professor Doutor João Leão”, pode-se ler no documento da Presidência da República. “O Presidente da República aceitou as propostas, realizando-se a cerimónia da posse no dia 15 de junho, às 10 horas”.

Esta era uma saída esperada há muito tempo. O ministro das Finanças tem sido apontado para governador do Banco de Portugal, restando saber se, e quando, poderá assumir o cargo. O atual governador, Carlos Costa, está de saída, pois o seu mandato termina em julho.

A saída do até agora ministro das Finanças, e ministro do Eurogrupo, foi anunciada no dia em que o Governo discute o orçamento suplementar ao Orçamento do Estado para 2020 devido à crise económica provocada pela pandemia da Covid-19.

Recorde-se que Mário Centeno anuncia em Bruxelas na quinta-feira se se recandidata ou não à liderança do Eurogrupo, o grupo que junta os ministros das Finanças da zona euro, indo agora anunciar a sua saída.

Outras fontes sinalizam ainda que a discussão do Orçamento Suplementar que estava marcada para 19 de junho, dia em que o primeiro-ministro não podia estar presente, acabou por ser antecipada para 17 de junho para António Costa poder estar presente no plenário.

Segundo fonte próxima ao processo, “não é habitual um primeiro-ministro estar presente na discussão de um Orçamento Retificativo ou Suplementar e António Costa fez agora questão de estar presente no debate do Orçamento Suplementar”.

Novo Banco: Costa diz que episódio com Centeno está encerrado

Em meados de maio, o primeiro-ministro sinalizou manterá sua confiança no ministro das Finanças depois da polémica acerca do pagamento ao Novo Banco, antes da auditoria ser revelada, e que envolveu também o Presidente da República.

António Costa reiterou, assim, a confiança em Mário Centeno, depois do caso da injeção de capital de 850 milhões de euros no Novo Banco que deu origem a uma crise interna no Governo.

“O assunto está devidamente encerrado e esclarecido, já foi reafirmada minha confiança no ministro das Finanças”, afirmou a 18 de maio António Costa em entrevista à TSF.

“Já pedi desculpa a quem tinha dado uma resposta errada, a primeira coisa que fiz foi pegar no telemóvel e falar com a deputada Catarina Martins”, afirmou.

“Senti que tinha havido uma falha de comunicação e foi explicada as razoes dessa falha”, adiantou o primeiro-ministro, depois da polémica que marcou a agenda noticiosa.

O primeiro-ministro não esclareceu se Mário Centeno apresentou, ou não, a demissão a 13 de maio, dia em que os ministros estiveram reunidos por largas horas depois de, numa visita à Autoeuropa, o Presidente da República ter dito que Costa esteve “muito bem” no Parlamento e que “é politicamente diferente o Estado assumir responsabilidade dias antes de se conhecer a auditoria, ou a auditoria ser concluída dias antes, do Estado assumir responsabilidades”.

A reunião terminou com um comunicado em que António Costa reiterava a confiança política em Centeno.

Fim a tabu sobre recandidatura à liderança do Eurogrupo na quinta-feira

O presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, anuncia na próxima quinta-feira se é ou não candidato a novo mandato à frente do fórum informal de ministros das Finanças da zona euro.

O anúncio será feito na reunião do Eurogrupo agendada para 11 de junho, que será uma vez mais celebrada por videoconferência, com o ministro das Finanças português a informar os seus homólogos se é candidato a novo mandato de dois anos e meio ou se está fora da ‘corrida’, indicou o seu porta-voz.

A cerca de um mês do final do mandato – 13 de julho -, Centeno irá então finalmente pôr fim ao ‘tabu’ em torno de uma eventual recandidatura, num anúncio que é aguardado com muita expectativa em Portugal, mas também na Europa, já que outros potenciais candidatos ao cargo têm estado à espera da decisão do ministro português para decidirem se avançam ou não com candidaturas à presidência do Eurogrupo, ocupada pelo ministro das Finanças português desde janeiro de 2018.

Há um mês, o jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung adiantava que Centeno decidiu não candidatar-se a um segundo mandato como líder do Eurogrupo, mas o ministro das Finanças tem-se escusado a revelar qual a sua decisão, que comunicará então na quinta-feira à tarde na reunião dos ministros das Finanças da zona euro, a penúltima antes da eleição, que deverá celebrar-se na reunião de julho.

Eleito em dezembro de 2017, Mário Centeno sucedeu ao holandês Jeroen Dijsselbloem na presidência do Eurogrupo em janeiro de 2018, para um mandato de dois anos e meio, que expira assim em julho próximo.

Centeno disse em março que não estava de saída: “Estou totalmente focado no meu cargo”

Mário Centeno disse a 23 de março que estava totalmente focado no cumprimento das suas funções neste momento de crise provocada pelo surto de coronavírus em Portugal.

“Tenho dito reiteradamente que assumi um cargo em que estou totalmente focado nas exigências e nas necessidades que este quadro [crise do coronavírus] requerem do cargo que ocupo”, disse na altura após uma reunião com o presidente da República em Belém.

Centeno não está preocupado com Costa Silva

Uma das polémicas políticas das últimas semanas foi a escolha do gestor António Costa Silva para conselheiro económico do primeiro-ministro.

Questionado sobre esta nomeação, o ministro das Finanças disse “acho que ainda não foi bem entendido o papel desse contribuo no desenho dos próximos passos de estabilização”.

“Não falei com ele [Costa Silva] nunca na minha vida. Mas não estou muito preocupado com isso, devo confessar”, afirmou em entrevista à Antena 1 a 5 de junho.

Recomendadas

Governo lança Linha Retomar de mil milhões para crédito a empresas pós-moratórias

A medida pode beneficiar 23,8 mil empresas dos sectores mais afetados pela pandemia e que têm créditos em regime de moratória. Em montante estes créditos somam 8,4 mil milhões de euros, segundo os últimos dados do Banco de Portugal.
eleições_legislativas_voto_urna_votar

Quais são as propostas dos candidatos à Câmara de Lisboa que prometem mexer com a economia da capital?

Na generalidade dos casos os candidatos defendem um maior investimento na habitação e redução de taxas municipais. Mas também há ideias para atrair empreendedores e até “choques fiscais” na Câmara de Lisboa.

Quais são as propostas dos candidatos à Câmara do Porto para fazer crescer a cidade?

Candidatos à presidência da Câmara do Porto querem apostar na habitação, turismo e transportes públicos. Mas também há promessas de criação de apoios e estruturas para o empreendedorismo.
Comentários