Ordem dos Engenheiros repudia declarações de Abel Mateus

Instituição liderada por Mineiro Aires defende António Costa Silva e o papel dos engenheiros no desenvolvimento da sociedade portuguesa.

Bastonário da Ordem dos Engenheiros, Carlos Mineiro Aires | Foto cedida

A Ordem dos Engenheiros tomou ontem, dia 25 de setembro, uma posição pública a repudiar as declarações do economista Abel Mateus em relação à capacidade dos engenheiros, publicadas na edição, também de ontem, do ‘Jornal de Negócios’.

“A Ordem dos Engenheiros lamenta e considera perfeitamente inaceitáveis e ofensivas as declarações proferidas
pelo professor e economista Abel Mateus, hoje publicadas no ‘Jornal de Negócios’, em relação à capacidade de um
engenheiro para elaborar um plano estratégico”, sublinha um comunicado da instituição liderada por Mineiro Aires.

De acordo com esse comunicado, a declaração de Abel Mateus, ‘Não se pede a um engenheiro um plano estratégico’ é “uma afirmação infeliz, que peca por desconhecimento, pois o documento a que se refere não se trata de um plano, mas sim de uma visão estratégica, o que são coisas substancialmente diferentes, porquanto um plano requer uma estratégia, uma calendarização e financiamento, o que compete agora ao Governo fazer, obviamente e uma vez mais com a participação de engenheiros”.

“Assim, o documento intitulado ‘Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica de Portugal 2020-
2030’, elaborado a pedido do Governo, não é, nem nunca pretendeu ser, um plano estratégico.
Estratégias e planeamento são apanágios dos engenheiros e estão à vista os resultados dos casos em que políticas
desta natureza foram conduzidas por não engenheiros, onde as exceções confirmam a regra.
Não contente com estas considerações, e depois de discorrer, durante a entrevista ao ‘Jornal de Negócios’, sobre
assuntos basicamente ligados à engenharia, ainda afirma que “a prova disso, é que se vai buscar uma pessoa
estranha, que infelizmente nem é economista””, prossegue, em tom crítico, o comunicado da Ordem dos Engenheiros.

Esta nota acrescenta que, “sem entrar no mesmo nível de apreciação sobre formações e competências académicas, o que revelou a estrutura mental do seu autor, preferimos ser didáticos: ainda bem que foi um engenheiro, porque o nosso pensamento e postura estão muito mais estruturados e abertos para trabalhar em equipa e estamos obrigados a posturas de ética e respeito deontológico”.

“O engenheiro em causa é o professor doutor António Costa Silva, professor no IST [Instituto Superior Técnico], membro de prestígio da Ordem dos Engenheiros, com uma longa e reconhecida carreira nacional e internacional como engenheiro e gestor, um homem da cultura, que compilou a sua visão sobre as oportunidades que se podem abrir ao país. Um engenheiro conhecedor, mas suficientemente humilde para ter sabido escutar largas centenas de instituições e partes interessadas, onde se incluíram muitos economistas e a própria Ordem que os representa”, defende o referido comunicado.

A Ordem dos Engenheiros conclui este comunicado assinalando que , “infelizmente, não nos recordamos de posições públicas tomadas, em devida e oportuna altura, pelo senhor professor Abel Mateus em relação a muitas das questões que hoje já domina e critica, sendo que também não conseguimos perceber, na sua entrevista, se algum dos 1.153 contributos que foram enviados ao engenheiro António Costa Silva, em sede de consulta pública, é de sua autoria”.

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