Pressionadas pelo aumento da procura e falta de carros, plataformas TVDE procedem a ajustes (com áudio)

O desconfinamento da economia, e o facto de haver menos carros disponíveis, está a pressionar os preços que funcionam consoante a oferta e a procura. Empresas dizem que já estão a tomar medidas para aliviar pressão tarifária.

MÁRIO CRUZ/LUSA

A pandemia da Covid-19 tirou das estradas portuguesas muitos carros e motoristas que trabalhavam com as plataformas TVDE. E num momento em que a atividade económica está a recuperar, o aumento da procura, em contraste com a falta de oferta, está a colocar pressão sobre os preços pagos pelos utilizadores.

O Jornal Económico (JE) consultou as três plataformas de TVDE a operar no mercado nacional que explicaram que estão a tomar várias medidas para aliviar a pressão sobre as tarifas.

O diretor da Free Now em Portugal, Bruno Borges, explicou ao JE que durante parte do período pandémico “as operadoras baixaram todas os preços”. “Agora, nos últimos tempos como há um desequilíbrio entre oferta e procura, ou seja a procura explodiu foi ativado um sistema que nós chamamos de tarifa dinâmica e isso faz com que as viagens fiquem mais caras”, justificou.

“Subimos a tarifa mínima, ou seja, antes o preço mínimo que se pagava por uma viagem era 2,50 euros e assim continua nas outras plataformas e nós achamos que seria mais justo para os nossos motoristas que receber 3 euros. Portanto, o preço por km, o preço por minuto não subiu”, garantiu Bruno Borges.

Já a Associação Empresarial de Operadores de TVDE (AEO TVDE) explica que “a pandemia trouxe um ano de muitas paragens, de muitos confinamentos. Os TVDE trabalham com transporte de pessoas, se não há pessoas, não há trabalho”, disse João Melo.

Com o avançar da pandemia alguns trabalhadores abandonaram a profissão, mas depois veio o desconfinamento e o número de pessoas a requisitar os serviços aumentou, mas a quantidade de motoristas já não é o mesmo.

“Houve muitas empresas que fecharam, muitos operadores deixaram de trabalhar o que leva a que hoje haja menos carros do que havia em 2019”, sublinhou João Melo, recordando ainda que “quem define as tarifas são as três operadoras”.

Da parte da Uber, fontes oficiais disseram ao JE que a empresa acompanha “de perto a experiência dos motoristas que viajam com a Uber e levamos a sua opinião muito a sério”.

“Depois de recebermos muito feedback sobre a experiência com o multiplicador de tarifa e tarifa automática, decidimos remover estas opções da aplicação do motorista”, aponta a plataforma.

“As cidades voltaram a ter milhares pessoas que precisam de se deslocar por diversos motivos e, como tal, a nossa estrutura de preço e a nossa tecnologia permite acompanhar a oferta e a procura em diferentes momentos”, descreve a Uber, que notou “uma recuperação da procura mais rápida do que do lado da oferta o que significa que em muitos casos a tarifa dinâmica está ativa de forma a equilibrar a procura e oferta e garantir a disponibilidade do serviço 24 horas por dia”.

Questionada pelo JE sobre o aumento de preços, a Uber abriu a possibilidade, desde 14 de outubro, de “fazer viagens com o Uber X Saver na Área Metropolitana de Lisboa, fora dos períodos e localizações de maior procura, por um valor 25% mais baixo e com a mesma segurança e qualidade das viagens”.

Relativamente à Bolt, Nuno Inácio, country manager de ride-hailing da Bolt Portugal, frisou que “de facto, durante o período pandémico, assistimos a uma diminuição dos parceiros na área de ride-hailing [transporte de passageiros por aplicações móveis], motivada pela falta de semicondutores, o que causou diversos problemas na produção de automóveis e que poderá ter influenciado de algum modo o preço final das viagens”.

“Para minimizar o impacto desta situação, continuamos a promover ações de comunicação junto dos mesmos, com o objetivo de proporcionar o máximo de lucro possível aos motoristas e o menor custo aos utilizadores”, assegura a Bolt.

Nuno Inácio apontou também que a empresa tem “uma equipa de desenvolvimento que trabalha diariamente para melhorar o algoritmo de cálculo dos preços e criar opções mais económicas e sustentáveis, sendo a categoria Economy um exemplo disso. Neste caso, os utilizadores podem usufruir de um desconto de 10%”.

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