Portugal continua com menos gente e cada vez mais velho

Uma população mais pequena, mais idosa, mas com poucas diminuições na percentagem em risco de pobreza. Tendência de decréscimo populacional e envelhecimento poderia ser ainda mais notória, não fosse o saldo migratório

Celebra-se este sábado, 11 de julho, o Dia Mundial da População e a Pordata apresenta hoje a edição deste ano do seu “Retrato de Portugal”, no qual se propõe a uma caracterização da sociedade portuguesa, baseada em 17 áreas-chave, como população, rendimento e condições de vida, educação, saúde, emprego ou proteção social.

Portugal tinha, em 2019, menos cerca de 282 mil pessoas do que em 2009, fixando-se, assim, a sua população em 10,3 milhões de pessoas. O decréscimo verificado foi motivado sobretudo por uma diminuição dos nascimentos (86.579 em 2019, com um índice de fecundidade de 1,42), mas o saldo migratório acabou por suavizar esta tendência, dado que foram mais cerca de 45 mil pessoas a entrar no país do que a deixá-lo. Portugal regista uma população progressivamente mais envelhecida, verificável pelo facto de o grupo dos maiores de 65 anos ter sido o único a crescer de 2009 para 2019, com um aumento de 18%. Há agora 161 idosos por cada 100 jovens.

Também os agregados familiares em Portugal evidenciaram alterações ao último dos 10 anos, como atesta a percentagem de nascimentos fora do casamento (de 38,1% em 2009 passou para 56,8% em 2019) ou a diminuição do número de casamentos (menos 7 mil entre 2009 e 2019, quando se realizaram 33.272, descida esta motivada quase exclusivamente pela queda dos casamentos católicos), aponta a Pordata.

Em termos económicos, o rendimento médio disponível das famílias fixou-se, em 2018, nos 32.426€, isto a preços constantes de 2016, e a taxa de poupança ficou-se pelos 5% do PIB (7% em termos de rendimento disponível). A taxa de pobreza pouco variou no intervalo analisado, tendo passado de 18% para 17% de 2009 para 2019.

No entanto, entre os jovens o valor situa-se nos 19%, quase 1/5 da população com menos de 18 anos. Estes resultados não podem ser dissociados da taxa de abandono escolar de 11% ou do facto de, em 2019, 52% da população com mais de 15 anos ter o ensino básico como nível de escolaridade mais elevado, de acordo com a base de dados da Fundação Francisco Manuel dos Santos, que assinala este ano o 10º aniversário.

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