Rio diz se não quisesse vencer as eleições “tinha de ser internado”

Frente a frente do líder social-democrata com Catarina Martins ficou marcado pelas divergências quanto à intenção de renacionalizar empresas e pelas prioridades em relação à saúde.

Catarina Martins-Rui Rio

O presidente do PSD, Rui Rio, voltou a provar que não é adepto do politicamente correto no frente a frente com Catarina Martins, realizado pela TVI neste domingo. Confrontado pelo jornalista Pedro Pinto com palavras da oponente, que em entrevista à Lusa considerou-o empenhado em afastar o Bloco de Esquerda da governação ao ponto de preferir que o PS tenha maioria absoluta nas legislativas de 6 de outubro, o líder social-democrata riu-se e retorquiu que se isso fosse verdade “tinha de ser internado no Júlio de Matos ou no Magalhães Lemos”, referindo-se aos hospitais psiquiátricos de Lisboa e do Porto.

Depois de voltar  a criticar as “sondagens mais ou menos manipuladas” que indicam um resultado desastroso para o PSD, Rio protagonizou novo momento desconcertante mesmo no final, deixando implícito que não deverá assumir o mandato na Assembleia da República. “O que me fez voltar à política foi ser líder do PSD e primeiro-ministro de Portugal”, admitiu, acrescentando que “na política não estão habituados a que as pessoas sejam sinceras”.

Num debate entre líderes partidários que defendem “modelos de sociedade completamente diferentes” seria natural uma conversa de surdos. Assim foi, sucedendo-se acusações cruzadas centradas sobretudo na saúde e na intenção de renacionalizar empresas, mas a que não faltaram personagens do passado. Catarina Martins disse que “talvez o PSD devesse deixar de estar sempre a invocar José Sócrates”, acusando Pedro Passos Coelho de ter executado um “plano de empobrecimento do país”.

Por seu lado, Rio apontou o dedo às renacionalizações pretendidas pelos bloquistas. “Não digo que seja o PREC de 1975, mas é uma coisa parecida”, afirmou, recordando que durante a intervenção da troika “perdemos os anéis por força de nos termos endividado em excesso”, o que alegou poder voltar a acontecer, na medida em que “a dívida pública portuguesa é uma das mais altas do Mundo”, caso venha a haver novos gastos.

Pouco antes, Catarina Martins acusou o Executivo de Passos Coelho de ter “privatizado por tuta-e-meia empresas lucrativas”, lamentando que os CTT “estejam a ser destruídos” e a REN alvo de uma “nacionalização chinesa”. Certa de que o próximo Governo poderá recuperar o controlo das empresas “por um valor bastante aceitável”, a líder bloquista avançou com 50 milhões de euros para voltar a ter parte da REN e 100 milhões de euros para os CTT, “um quinto do que todos os anos damos à Lone Star no fundo de resolução”.

Num raríssimo momento de convergência entre os dois políticos, Rio admitiu que “o caso da banca é efetivamente miserável”, ressalvando logo de seguida que as verbas entregues aos bancos “estavam nos orçamentos do Estado que o Bloco de Esquerda aprovou”.

Maiores ainda foram as divergências na saúde, tendo Catarina Martins acusado o programa social-democrata de não explicitar os hospitais públicos que pretende entregar à gestão privada. Rui Rio voltou a dizer que “o desperdício nos hospitais públicos é de todo o tamanho”, o que acredita conduzir a que o Serviço Nacional de Saúde não cumpra o que está na Constituição. “Quem perde? Felizmente não sou eu, porque também tenho seguro de saúde. São os mais desfavorecidos, que estão na lista de espera um mês, um ano, e alguns pelo caminho acabam por morrer ou sofrem imenso. Temos que dar a volta a isto, sem tabus ideológicos.”

 

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