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Trump afirma querer “ajudar a China, não prejudicá-la” depois de agravar conflito comercial

O presidente norte-americano suavizou o discurso, depois de ter considerado na sexta-feira que a China “se estava a tornar muito hostil”, antes de ameaçar Pequim com a imposição de direitos aduaneiros de 100% sobre os produtos chineses, que se somariam às taxas já aplicadas desde maio passado.
epa12241592 United States President Donald J. Trump gives remarks as he meets Bahrain’s Prime Minister and Crown Prince Sheikh Salman bin Hamad al-Khalifa in the Oval Office of the White House in Washington, DC, USA, 16 July 2025. EPA/AARON SCHWARTZ / POOL
12 Outubro 2025, 21h35

O Presidente norte-americano, Donald Trump, adotou um tom mais conciliador no conflito comercial entre Washington e Pequim, afirmando que os Estados Unidos querem “ajudar a China, não prejudicá-la”.

“Não se preocupem com a China, tudo vai correr bem! O muito respeitado Presidente Xi apenas passou por um momento difícil, ele não quer uma depressão para o seu país, e eu também não”, afirmou o líder norte-americano na sua plataforma Truth Social este domingo, 12 de outubro, dois dias após o anúncio da imposição por Washington de direitos aduaneiros adicionais de 100% sobre os produtos chineses.

O discurso de Trump suavizou-se, uma vez que o governante tinha considerado na sexta-feira que a China “se estava a tornar muito hostil”, antes de ameaçar Pequim com a imposição de direitos aduaneiros de 100% sobre os produtos chineses, que se somariam às taxas já aplicadas desde maio passado.

Em causa está a decisão tomada na quinta-feira pelo Governo chinês de aplicar novos controlos sobre a exportação de terras raras, bem como de máquinas e tecnologias que permitem o seu refinamento e transformação.

Estas matérias-primas são particularmente procuradas nas indústrias digitais, das energias renováveis, mas também da defesa, e Pequim controla uma parte essencial da cadeia de valor de quase todos os minerais raros.

Donald Trump classificou esta decisão como “extremamente agressiva”, ameaçando a China com direitos aduaneiros adicionais e considerando cancelar a sua reunião prevista para daqui a duas semanas com o homólogo chinês Xi Jinping, à margem da cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC) na Coreia do Sul.

“Não é possível que a China seja autorizada a manter o mundo refém, mas parece ser esse o seu projeto há algum tempo”, afirmou o Presidente norte-americano, garantindo na mesma ocasião que “muitas outras contramedidas” estavam a ser “seriamente estudadas”.

Mediante este cenário, Donald Trump tem vindo a tentar ganhar terreno relativamente às terras raras. Em setembro, a primeira-ministra ucraniana anunciou a primeira contribuição dos Estados Unidos para o fundo de investimento criado por Washington e Kiev para facilitar o acesso de empresas norte-americanas aos recursos naturais do país.

O acordo para a criação do fundo de investimento foi assinado na primavera passada, após meses de pressão da administração Trump, que condicionou a continuidade de qualquer ajuda a Kiev à assinatura de um documento que permita o acesso dos Estados Unidos às terras raras da Ucrânia.

Desta forma, defende Donald Trump, os Estados Unidos recuperam a ajuda a Kiev dada pela administração do seu antecessor na Casa Branca, o democrata Joe Biden.

No texto assinado, a Ucrânia concorda em financiar o fundo com metade dos lucros gerados pelos projetos de exploração de energia iniciados após a aprovação do acordo.

Sob o efeito da ofensiva protecionista desencadeada por Donald Trump desde o seu regresso ao poder a 20 de janeiro, os direitos aduaneiros entre os Estados Unidos e a China atingiram níveis três vezes superiores ao normal em ambos os lados, perturbando as cadeias de abastecimento.

Desde então, Washington e Pequim chegaram a um acordo para amenizar as tensões, reduzindo temporariamente as tarifas alfandegárias para 30% para produtos chineses importados pelos Estados Unidos e para 10% para produtos norte-americanos importados pela China.

Esta trégua comercial deve durar até 10 de novembro.

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