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Recrutamento: comércio e logística vão destacar-se em 2026, diz Pedro Rocha e Silva

Director geral da LHH|DBM Portugal diz ao JE que o e-commerce, a distribuição e as operações de armazém vão pressionar os setores do comércio e da logística, posicionando-os na primeira linha da procura pelo talento em 2026. Ainda no campo do recrutamento, indústria e engenharia poderão apresentar igualmente “fortes níveis” de crescimento.
30 Dezembro 2025, 07h00

Comércio e logística posicionam-se como os setores mais dinâmicos na procura de talento em Portugal no próximo ano.

“Diria que os setores de maior crescimento poderão ser comércio e logística, muito impulsionado por áreas como e-commerce, distribuição e operações de armazém”, adianta ao Jornal Económico Pedro Rocha e Silva, managing director da LHH | DBM Portugal, empresa de consultoria em outplacement (serviço de recolocação laboral) e Recursos Humanos que opera no país desde 1992.

A indústria e a engenharia, acrescenta, “poderão apresentar igualmente fortes níveis de crescimento de recrutamento”, nomeadamente na procura por especialistas em digitalização industrial, energia, automação e sustentabilidade, onde a escassez de talento é estrutural.

O gestor antecipa ao JE a manutenção da procura de perfis IT (tecnologias de informação) em “níveis elevados”, nomeadamente nas áreas da cloud, IA, machine learning, cibersegurança, dados e outros setores como serviços partilhados, hubs tecnológicos e financeiros, e turismo/hotelaria continuarão a impulsionar “elevados níveis” de recrutamento.

Pedro Rocha e Silva perspetiva para 2026 a continuidade de um contexto de desemprego baixo e crescimento económico moderado. “Entramos em 2026 com desemprego historicamente baixo (perto de 5,8–5,9%), níveis de emprego recorde e perspetivas de crescimento económico em torno de 2% em 2026, o que suporta intenções de contratação positivas”, justifica.

Estudos recentes referem que quase 40% das empresas em Portugal planeiam aumentar headcount no primeiro trimestre de 2026, com projeção líquida de criação de emprego “bastante otimista”.

Segundo o diretor geral da LHH|DBM Portugal, o interesse em ferramentas de IA (inteligência artificial) na área de recursos humanos é atualmente muito elevado e já passou da fase de “curiosidade” para uma fase de “adoção prática”, no entanto ainda “desigual” entre empresas e setores.

Em 2026, o panorama em Portugal pode ser descrito como de “adoção em aceleração, estando ainda longe de ser massivo e estando mais circunscrito a algumas funções”, nomeadamente recrutamento e analytics.

Grandes empresas, multinacionais e empresas de tecnologia e serviços tendem a estar mais avançadas, mas a maioria das organizações está ainda numa fase exploratória: já testa ou utiliza IA em processos específicos, mas ainda não tem um modelo integrado em toda a cadeia de RH, adianta.


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