António Costa: “Não há consenso. A Europa precisa de fazer muito mais”

“Há três países que são totalmente contra e há um país que tem abertura de espírito para discutir aquilo que nunca quis discutir. É impossível imaginar uma causa que justifique de forma tão premente a utilização desta medida”, realçou o primeiro-ministro português a propósito da implementação de um instrumento europeu comum de emissão de dívida.

Omer Messinger/EPA

O primeiro-ministro manifestou alguma frustração no final da reunião do Conselho Europeu, reconhecendo que não existe consenso entre os países europeus e que a Europa precisa de fazer muito mais para fazer face a uma crise com uma dimensão deste calibre.

“Há três países que são totalmente contra e há um país que tem abertura de espírito para discutir aquilo que nunca quis discutir. É impossível imaginar uma causa que justifique de forma tão premente a utilização desta medida”, realçou o primeiro-ministro português a propósito da implementação de um instrumento europeu comum de emissão de dívida.

O primeiro-ministro António Costa e oito outros líderes europeus subscrevem uma carta dirigida ao presidente do Conselho Europeu a reclamar a implementação de um instrumento europeu comum de emissão de dívida para enfrentar a crise provocada pela covid-19.

Na carta enviada a Charles Michel na véspera de um Conselho Europeu consagrado à resposta europeia à pandemia do novo coronavírus – que se realizará por videoconferência na quinta-feira -, os chefes de Estado e de Governo de Portugal, França, Itália, Espanha, Bélgica, Luxemburgo, Irlanda, Grécia e Eslovénia defendem que, face à gravidade da situação, além das medidas já tomadas, é necessário avançar para “um instrumento comum de dívida, emitida por uma instituição europeia, para angariar fundos no mercado na mesma base e em benefício de todos os Estados-membros”.

De acordo com os oito líderes europeus, tal instrumento asseguraria “um financiamento a longo prazo estável para as políticas necessárias para fazer face aos danos causados por esta pandemia”, nas mesmas condições para todos os Estados-membros.

Na sua opinião, os argumentos em favor de um instrumento comum de emissão de dívida são “fortes”, já que todos os países estão a enfrentar “um choque externo simétrico, pelo qual nenhum país é responsável, mas cujas consequências negativas são sofridas por todos”.

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