Cloroquina pode provocar “danos graves” a pessoas infetadas com Covid-19, conclui estudo

De acordo com o estudo, cerca de um em cada seis pacientes tratados apenas com cloroquina ou hidroxicloroquina morreram no hospital, em comparação com um em 11 pacientes no grupo controle.

Os pacientes Covid-19 gravemente doentes tratados com hidroxicloroquina e cloroquina — medicamentos que têm sido elogiados e promovidos por Donald Trump, nos EUA, e Jair Bolsonaro, no Brasil — estão mais propensos a morrer ou desenvolver arritmias cardíacas perigosas.

A conclusão é de um novo estudo publicado, esta sexta-feira, na revista “The Lancet”, em que um dos autores desaconselha fortemente o recurso a este medicamento para tratamento da nova pandemia.

“Os nossos dados mostraram de uma maneira muito convincente que essa combinação de medicamentos, independentemente da forma como são admnistrados, não mostram nenhuma evidência de benefícios e, de fato, mostra um imutável sinal de dano grave ”, alertou o Dr. Mandeep R. Mehra em declarações à “CNN”.

Os tratamentos foram associados a um maior risco de morte no hospital.

A amostra de análise é significativa: 96.000 pacientes de 671 hospitais. Todos estiveram hospitalizados entre fins de dezembro e meados de abril e cerca de 15 mil foram tratados com estes dois medicamentos antimalária, ou com um deles combinado com um antibiótico.

Estes tratamentos, fica provado no estudo, estão associados a um maior risco de morte. Um em cada seis pacientes submetidos a tratamentos com cloroquina e hidroxicloroquina (sem antibiótico) morreram, enquanto no grupo que não tomou os medicamentos as mortes são de 1 em 11. Entre os que estiveram a tomar cloroquina e antibiótico, esse rácio passa para 1 em cada 5 e quase 1 em 4 tratados com hidroxicloroquina em conjunto com um antibiótico morreram.

“Estudos anteriores em pequena escala não conseguiram identificar provas robustas do benefício destes medicamentos. O que sabemos agora, depois deste nosso estudo, é que as possibilidades de que um paciente melhore depois de os tomar são muito reduzidas”, disse, citado pela CNN, Frank Ruschitzka, diretor do Centro de Cardiologia do Hospital Universitário de Zurique e co-autor do estudo.

“Estou a tomar e ainda estou aqui”. Trump está a consumir hidroxicloroquina para evitar covid-19

O presidente Donald Trump tem elogiado repetidamente a hidroxicloroquina como uma possível cura para o coronavírus. No início desta semana, alegou que estava a tomando doses diárias como profilaxia para prevenir a infecção tal como acontece nos tratamentos contra a malária.

O estudo descobriu ainda que as arritmias cardíacas graves eram mais comuns entre os pacientes que receberam qualquer um dos quatro tratamentos. O maior aumento foi entre o grupo tratado com hidroxicloroquina e um antibiótico, cerca de 8% desses pacientes desenvolveram arritmia cardíaca, em comparação com 0,3% do grupo controle.

Atualmente, mais de 1,5 milhão de pessoas nos Estados Unidos testaram positivo para coronavírus e foram contabilizadas perto de 95 mil vítimas mortais, segundo a Universidade Johns Hopkins.

 

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