Comissária europeia diz que variante Delta “diminui força do escudo protetor” da vacina

“Têm surgido provas de que as variantes – nomeadamente a variante Delta – diminuem a força do escudo protetor fornecido pelas vacinas, especialmente quando a vacinação ainda não é completa. É, portanto, crucial que o maior número possível de cidadãos seja vacinado contra a covid-19, e que seja totalmente vacinado o mais rapidamente possível”, disse Stella Kyriakides.

LUSA/OLIVIER HOSLET

A comissária europeia para a Saúde disse hoje que estão a surgir provas que demonstram que a variante Delta do coronavirus SARS-CoV-2 “diminui a força do escudo protetor” criado pelas vacinas, instando à aceleração da vacinação completa da população.

“Têm surgido provas de que as variantes – nomeadamente a variante Delta – diminuem a força do escudo protetor fornecido pelas vacinas, especialmente quando a vacinação ainda não é completa. É, portanto, crucial que o maior número possível de cidadãos seja vacinado contra a covid-19, e que seja totalmente vacinado o mais rapidamente possível”, disse Stella Kyriakides.

A comissária com a pasta da Saúde falava em conferência de imprensa após o Conselho de Emprego, Política Social, Saúde e Consumidores (EPSCO), que se reuniu hoje no Luxemburgo e que foi presidido pela ministra da Saúde portuguesa, Marta Temido.

Avançando que, até ao momento, mais de 55% dos adultos europeus já receberam a primeira dose de vacina e que mais de 32% foram totalmente vacinados, Kyriakides indicou que a “vacinação está em constante aumento” na União Europeia, com 25 milhões de doses da vacina a serem administradas semanalmente.

“Agora, podemos ver claramente os efeitos desta campanha de vacinação maciça: o número de casos de covid-19 tem estado constantemente a diminuir nas últimas nove semanas. As vacinas funcionam, as vacinas protegem, as vacinas empurram o número de infeções para baixo”, afirmou a comissária.

Considerando que a vacinação é a “arma mais importante contra a covid-19 nas diferentes formas e feitios que está a tomar”, Stella Kyriakides destacou que há “variantes mais contagiosas que estão a espalhar-se”.

“É uma ameaça que estamos a levar a sério: é particularmente perigosa para os cidadãos que ainda não foram vacinados, mas também para aqueles que ainda não estão completamente vacinados”, sublinhou.

Reiterando assim uma mensagem que já tinha comunicado aos ministros durante o Conselho de hoje, Kyriakides referiu que o atual ritmo de vacinação é uma “grande conquista” e permite estar “mais otimista sobre o futuro”, mas alertou para a “complacência”.

“Vacinem, vacinem, vacinem: esta é a minha mensagem hoje”, instou Kyriakides.

Na que foi a última reunião dos ministros da Saúde da UE durante a presidência portuguesa do Conselho da UE, Stella Kyriakides aproveitou ainda para agradecer a Marta Temido pelo “trabalho muito importante” desenvolvido por Portugal durante o seu semestre europeu.

“Quero agradecer a toda a equipa portuguesa pelo seu trabalho impressionante, pela sua cooperação muito frutífera durante a resposta à pandemia”, frisou a comissária.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 3.813.994 mortos no mundo, resultantes de mais de 176,1 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 17.049 pessoas dos 859.045 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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