Covid-19: A Associação de Artistas Visuais sublinha que espaços culturais “são seguros”

Os equipamentos culturais terão de encerrar a partir das 00:00 de sexta-feira, em Portugal Continental, no âmbito das medidas anunciadas hoje pelo Governo, para tentar conter a pandemia da covid-19.

A Associação de Artistas Visuais em Portugal (AAVP) lamentou hoje o encerramento dos espaços culturais decidido pelo Governo, argumentando que são locais “seguros”, comparados com outros setores da sociedade, “como os transportes públicos ou os hipermercados”.

Os equipamentos culturais terão de encerrar a partir das 00:00 de sexta-feira, em Portugal Continental, no âmbito das medidas anunciadas hoje pelo Governo, para tentar conter a pandemia da covid-19.

Contactada pela agência Lusa, a porta voz da AAVP, a artista e cineasta Salomé Lamas disse não compreender as razões do Governo para tomar uma decisão “que apenas faz uma gestão temporária de uma situação, e não resolve os verdadeiros problemas do sistema”.

“Sinto-me muito mais segura num cinema, num museu ou numa galeria de arte do que num hipermercado”, comentou.

À semelhança do que aconteceu em março do ano passado, os equipamentos culturais voltam agora a ter de encerrar.

“Os espaços culturais são seguros, só precisam de ser legislados e fiscalizados”, defendeu Salomé Lamas, lamentando que “a cultura nunca seja o interesse principal” na agenda política.

Defendeu ainda uma “reflexão mais alargada, e uma verdadeira mudança de paradigma que crie uma sociedade mais ecológica e sustentável a todos os níveis”.

Portugal vai “regressar ao dever de recolhimento domiciliário”, a partir das 00:00 de sexta-feira, tal como em março e em abril, anunciou hoje o primeiro-ministro, António Costa, em conferência de imprensa no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, alertando para este ser, simultaneamente, o momento “mais perigoso, mas também um momento de maior esperança”.

António Costa remeteu para quinta-feira o anúncio de “um conjunto de medidas de apoio aos setores que são particularmente atingidos”, a serem apresentadas pela ministra da Cultura e pelo ministro da Economia.

A paralisação da Cultura começou na segunda semana de março, depressa se estendeu a todas as áreas e, no final de 2020, entre “plano de desconfinamento” e estados de emergência, o setor somava perdas superiores a 70% em relação a 2019.

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