Demora de conclusões sobre eventos-piloto não é por erro técnico, garante DGS

Numa declaração enviada à agência Lusa, a DGS afirmou que “os trabalhos de monitorização de potenciais casos de infeção de SARS-CoV-2, após a assistência aos eventos culturais piloto de abril e maio, estão ainda em conclusão”.

Pessoas fazem fila para entrar numa loja, no dia que marca o início da terceira fase de desconfinamento em Portugal, no Centro Comercial UBBO, na Amadora, 19 de abril de 2021. Portugal inicia hoje a terceira fase do desconfinamento com a reabertura de mais escolas, lojas, restaurantes e cafés, um levantamento de restrições que não é acompanhado nos 10 concelhos onde a incidência da covid-19 é maior. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

A Direção-Geral da Saúde (DGS) rejeitou hoje que tenha havido erro técnico no tratamento de dados dos eventos-piloto da Cultura, ocorridos em abril e maio, mas admitiu que o processo está demorado.

Numa declaração enviada à agência Lusa, a DGS afirmou que “os trabalhos de monitorização de potenciais casos de infeção de SARS-CoV-2, após a assistência aos eventos culturais piloto de abril e maio, estão ainda em conclusão”.

Para concluir a monitorização, “é necessário fazer corresponder a informação de identificação que foi utilizada para aceder aos eventos com o número de utente do Serviço Nacional de Saúde, o que torna o processo mais demorado”, admitiu a DGS.

Fonte da DGS disse à agência Lusa que a demora não se deve a qualquer erro técnico ou informático, como foi apontado por associações representativas do setor dos espetáculos.

Entre abril e maio foram realizados quatro eventos-piloto em Braga, Coimbra e Lisboa, com plateia sentada e em pé, e com a realização prévia de testes de diagnóstico, gratuitos, aos espectadores, em colaboração com a Cruz Vermelha Portuguesa.

O objetivo destes eventos era definir, segundo o Governo, “novas orientações técnicas e a realização de testes de diagnóstico de SARS-CoV-2 para a realização de espetáculos e festivais”.

Mais de um mês depois, não foram ainda divulgadas as conclusões desses eventos-piloto, porque está ainda a ser feita a correspondência entre de dados de identificação dos espectadores que se submeteram ao teste de diagnóstico.

Sobre os eventos-piloto, a Associação de Promotores de Espectáculos, Festivais e Eventos (APEFE) disse à agência Lusa que foi informada, na sexta-feira, de que teria havido “um problema informático” com os dados dos espectadores que participaram nos eventos-piloto.

Hoje, a Associação Portuguesa de Festivais de Música (Aporfest) lamentou, em comunicado, que os eventos-piloto tenham sido uma “perda de tempo”, e diz ter sido surpreendida, 45 dias depois da sua realização, com um “problema técnico” na gestão dos dados.

Os dados destes eventos-piloto são ainda desconhecidos numa altura em que o Governo já decidiu, em reunião de Conselho de Ministros ocorrida na semana passada, que será obrigatória a realização de testes de diagnóstico à covid-19 para a entrada em eventos desportivos e culturais e participação em eventos familiares, incluindo casamentos e batizados.

Na conferência de imprensa a seguir ao Conselho de Ministros, a ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, explicou que cabe à DGS definir o número de participantes por evento a partir do qual é exigida a realização de teste à covid-19.

No domingo, a Associação Espetáculo – Agentes e Produtores Portugueses defendeu que os testes de diagnóstico à covid-19 devem ser gratuitos em eventos culturais e, como contrapartida à obrigatoriedade, pedem um aumento da lotação das salas.

À agência Lusa, o promotor Álvaro Covões, da direção da APEFE, disse que solicitou mais esclarecimentos da DGS sobre a obrigatoriedade de realização de testes à covid-19, porque “não está claro se [a testagem obrigatória] é para todos os espetáculos ou para os espetáculos acima de uma determinada lotação”.

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