Federação defende inclusão das pessoas com autismo na primeira fase da vacinação

“O impacto que a pandemia por covid-19 tem causado nas pessoas com autismo de todos os grupos etários é de difícil mensuração, mas tem sido devastador na sua vida e causado regressão acentuada pela disrupção das atividades diárias, e em especial nos mais novos, com a interrupção/diminuição da intervenção precoce e inclusão na escola e na sociedade”, refere a nota.

ITA – (intranet) autismo

A Federação Portuguesa de Autismo (FPDA) defendeu hoje que as pessoas com autismo com mais de 16 anos e os profissionais que lidam com elas devem estar contemplados na primeira fase da vacinação contra a covid-19.

Em comunicado, a FPA diz ter conhecimento de “vários surtos” no país que envolvem crianças, jovens e adultos com autismo, e dos trabalhadores que os apoiam, o que causa “graves problemas”.

“O impacto que a pandemia por covid-19 tem causado nas pessoas com autismo de todos os grupos etários é de difícil mensuração, mas tem sido devastador na sua vida e causado regressão acentuada pela disrupção das atividades diárias, e em especial nos mais novos, com a interrupção/diminuição da intervenção precoce e inclusão na escola e na sociedade”, refere a nota.

Em declarações à Lusa, o presidente da FPDA, Fernando Campilho, disse que um dos problemas tem a ver com a “quebra das rotinas imposta pela pandemia”, que pode colocar em causa todas as “pequenas conquistas” feitas pelas crianças com autismo.

“Quando eles não são intervencionados sempre, com muita facilidade regridem e depois perdem as competências que tinham. As pessoas com autismo têm rotinas muito certinhas e quando essas rotinas são perturbadas a tendência à regressão é grande”, referiu.

Fernando Campilho realçou, por outro lado, que as pessoas com autismo têm dificuldade em cumprir as normas preventivas, como usar a máscara, manter as distâncias sociais ou lavar corretamente as mãos.

Além disso, têm dificuldade em comunicar os sintomas de doença, o que atrasa o diagnóstico, e assim podem ser fontes importantes de contágio, por períodos alargados de tempo.

“As pessoas com autismo não comunicam bem e podem estar doentes, e como eles não percebem e não comunicam que estão doentes essa doença passa despercebida e eles contagiam as pessoas que os rodeiam, nomeadamente as pessoas que cuidam deles”, explicou.

O presidente da FPDA considera que a sociedade “tem o dever de proteger” os trabalhadores que contactam com as pessoas com autismo, permitindo assim que eles “cumpram as suas atividades imprescindíveis para assegurar que as pessoas que apoiam continuem a usufruir, sem interrupções, do seu trabalho”.

A FPDA lembra ainda que as pessoas com autismo que vivem em estruturas residenciais foram incluídas, juntamente com os trabalhadores, na primeira fase de vacinação. Contudo, todas as outras não estão incluídas, apesar de serem “um grupo de risco aumentado, quer para eles, quer para os seus cuidadores de qualquer tipo, incluindo trabalhadores em centros de atividades ocupacionais, assistentes pessoais ou outros”.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 2.384.059 mortos no mundo, resultantes de mais de 108,1 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 15.034 pessoas dos 781.223 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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