Marisa Matias fecha campanha com apelos a “vermelho em Belém”: “a solidariedade vai vencer o ódio”

A candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda recordou a defesa que tem feito dos serviços públicos, especialmente do SNS, durante uma crise que é “o jogo das nossas vidas”, como defende. O ódio e o medo que alguns candidatos tentaram usar durante a campanha também mereceu fortes reparos.

Paula Nunes/BE

Marisa Matias encerrou esta sexta-feira a sua campanha presidencial com um evento online realizado no Convento de São Francisco, em Coimbra, onde reforçou várias vezes que “a solidariedade vai vencer o ódio” no próximo domingo.

Numa campanha que a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda classificou como “muito mais interessante e desafiante do que muita gente quis antever”, Marisa Matias sublinha a defesa que fez dos serviços públicos, sobretudo do Sistema Nacional de Saúde (SNS), dos direitos dos trabalhadores e da igualdade perante o medo.

“Foi ouvindo todas estas pessoas ao longo da campanha e retribuindo uma promessa – que cumpri – que me apresento a eleições este domingo. Prometi que iria enfrentar o medo”, afirmou, defendendo que “precisamos de juntar forças para vencer esta crise”.

De resto, a candidata elogiou o comportamento dos portugueses perante a Covid-19, falando em “responsabilidade” evidente nas suas visitas a aldeias do interior e lembrando ainda vários conterrâneos que, por se encontrarem na linha da frente do combate à doença, não se encontravam em Alcouce aquando da visita de quinta-feira à sua aldeia natal.

Para a eurodeputada, o voto de domingo é importante não só pelo contexto adverso em que o país e o mundo se encontram pela crise pandémica, mas também para “sinalizar” as intenções do eleitorado de proteção dos serviços públicos e de vitória da solidariedade.

“Insisti muito na defesa do SNS e dos serviços públicos, na defesa do emprego, no combate às alterações climáticas, na defesa da igualdade. Em cada paragem vi o exemplo de um povo a lutar, sem baixar os braços nem desistir. Este é mesmo o jogo das nossas vidas”, apontou Marisa Matias.

Sem nunca se referir a nenhum adversário pelo nome, a candidata argumentou repetidas vezes que “a campanha virou” e que a solidariedade triunfará sobre “quem quisesse a campanha do ódio e do insulto”. A polémica com André Ventura também não foi esquecida, sendo que os pedidos de “vermelho em Belém” foram frequentes, incluindo em linguagem gestual.

“Domingo vamos decidir pelo voto, o voto pelo SNS, o voto contra a precariedade, o voto por todos os homens e mulheres. Se toda a esquerda for votar, conseguimos”, apelou Marisa Matias, repetindo a esperança de que “a força da solidariedade vai vencer”. “Domingo é vermelho em Belém”, rematou.

Ler mais
Recomendadas

1.886 tripulantes da TAP votaram ‘sim’. Acordo de emergência fica aprovado no SNPVAC

A esmagadora maioria dos tripulantes da TAP representados pelo Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil votou favoravelmente o “Acordo de Emergência”, virando a página num processo negocial que tem sido longo para os trabalhadores do Grupo TAP, mas que salvaguardou algumas regalias laborais.

TAP. Pilotos do SPAC aceitam “acordo de emergência”

Com uma participação massiva de 96,8% dos associados do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC), foi votado o “Sim” ao “acordo de emergência” estabelecido com a administração da TAP, com uma maioria de 617 votos. O regime sucedâneo é afastado para os pilotos, que vêm o ordenado ser cortado em 50% acima do valor de garantia de 1.330 euros mensais.

OMS reclama isenção de direitos de propriedade intelectual para vacinas

“Agora é o momento de usar todas as ferramentas para aumentar a produção, incluindo licenciamento, transferência de tecnologia e isenções de propriedade intelectual. Se não é agora, quando?”, questionou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
Comentários