Peritos apostam na vacinação, testagem, medidas sanitárias e gestão de risco

A testagem foi igualmente defendida pela especialista do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto. Neste aspeto, sobressaiu a defesa de um ajuste nas estratégias de testagem, através da “identificação de populações de maior risco e promoção dos testes gratuitos” em locais validados e incluindo grupos vacinados.

EPA/ALEJANDRO GARCIA

Os peritos que aconselham o Governo na gestão da pandemia de covid-19 recomendaram a necessidade de manter a aposta na vacinação, na testagem e nas medidas sanitárias, além de uma maior responsabilização dos cidadãos na gestão do risc.

egundo uma intervenção da investigadora Raquel Duarte na reunião de especialistas e políticos no Infarmed, em Lisboa, em 16 de setembro, a equipa de peritos entendeu que é essencial “continuar a apostar na vacinação e antecipar desde já a eventual necessidade de reforço massivo”, através de um plano que vá além dos cuidados de saúde primários para assegurar a resposta dos serviços de saúde, identificando idosos e populações vulneráveis como prioritários para receberem uma terceira dose de vacina contra a covid-19.

A testagem foi igualmente defendida pela especialista do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto. Neste aspeto, sobressaiu a defesa de um ajuste nas estratégias de testagem, através da “identificação de populações de maior risco e promoção dos testes gratuitos” em locais validados e incluindo grupos vacinados.

Em associação com a testagem, surgiu o apelo à continuação da monitorização atenta de variantes do vírus SARS-CoV-2, com foco na rápida caracterização de transmissão no território pela identificação de populações ou comportamentos de maior risco e uma aplicação imediata e abrangente das medidas de saúde pública a fim de cortar a cadeia de transmissão.

Os especialistas defendem que o posicionamento de gestão da pandemia deverá ser o de que Portugal não vai entrar “numa fase de cancelamento das medidas”, mas sim numa “fase transitória” assente numa responsabilidade individual mais vincada, que deve ser facilitada com uma comunicação clara e permanente para uma melhor compreensão da gestão do risco em relação à pandemia.

As recomendações vão também no sentido de uma adoção “forte” das medidas preventivas em espaços fechados e onde não é possível o distanciamento, esclareceu Raquel Duarte, salientando a importância de garantir a qualidade do ar interior pela monitorização do nível de dióxido de carbono, em conjunto com uma boa ventilação e climatização.

Esta recomendação geral para todos os setores foi acompanhada de um especial cuidado em relação aos lares de idosos, preconizando-se para este tipo de espaços uma “implementação de medidas protetoras mais apertadas”, como por exemplo a testagem regular e a apresentação de certificado digital, a fim de salvaguardar a segurança dos utentes face a quem chega do exterior.

O valor do certificado digital no controlo de fronteiras é também defendido pelos peritos, que consideram o documento uma necessidade “evidente” para controlo da situação epidemiológica, defendendo que deve ser tido como uma “garantia adicional de segurança”.

Ao nível dos transportes públicos, a equipa de peritos recomendou a continuidade do uso obrigatório de máscara no interior dos veículos, ainda que “de forma transitória”, perante a impossibilidade de controlo da exposição ao risco.

Quanto ao plano de desconfinamento em si, Raquel Duarte e os restantes especialistas que a acompanham na tarefa de aconselhar o executivo defenderam que o processo após a vacinação completa de 85% da população portuguesa deve assentar em três pilares: os valores de incidência da doença, a tendência e a taxa de hospitalizações e letalidade.

Como síntese de uma maior responsabilização do indivíduo na gestão do risco de contágio, os peritos notaram que ter a vacinação completa, evitar espaços públicos com grandes aglomerações de pessoas, manter as medidas de proteção individual, o uso regular da máscara e ter um círculo social mais restrito estão entre os fatores que possibilitam uma gestão mais cuidada do risco face à covid-19.

Em Portugal, desde março de 2020, a covid-19 já provocou 17.933 mortes em 1.063.991 casos de infeção confirmados, segundo dados da Direção-Geral da Saúde.

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