Seguro de Saúde: futuro também é apostar na prevenção

Com a procura a revelar uma trajetóroa ascendente, os princioais operadores no mercado nacional desenvolvem as suas estratégias no sentido de dar resposta a um maior, e mais diversificado, número de exigências com que vão sendo confrontados. Numa altura em que a procura tem o foco muito para além do equilíbrio entre os serviços a custos acessíveis, ganha relevãncia toda uma dinâmica de oferta em torno das doenças oncológicas, que, apesar de todos os avanços da medicina, são hoje um dos maiores receios da popuplação portuguesa. neste capítulo, há ainda um longo caminho por percorrer mas o setor segurador mostra estar atento e a tenatr encontrar as melhores respostas nesta matéria.

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1 O que procura hoje um segurado num seguro de saúde?

2 Os seguros oncológicos têm registado procura?

3 Que ofertas existem a nível de pré-existências?

 

Teresa Bartolomeu
Médis e Ocidental, Grupo Ageas

 

  1. A maioria dos segurados procura um acesso rápido e fácil aos cuidados de saúde, mas também um equilíbrio entre a cobertura mais completa e o preço. Ou seja, pretendem uma garantia de proteção para as situações de saúde no sistema privado de saúde, suportando apenas o valor reduzido do co- pagamento, independentemente do custo associado. Existem vários fatores que influenciam a escolha da seguradora, e que dependem da capacidade desta de funcionar em integração com os diversos intervenientes do sistema. É exemplo disso a relação eficaz com os hospitais, clínicas, e médicos, permitindo garantir uma experiência única de utilização aos segurados, libertando os profissionais de saúde para o mais importante: cuidar da saúde. De seguida, a confiança que projetam na própria marca do seguro. Em especial, a abrangência e qualidade dos serviços oferecidos, a transparência, e a clareza da informação. Procuram também poder optar por uma oferta adaptada às suas necessidades e por uma personalização de produtos e serviços. A inovação constante é outro dos fatores mais valorizados.
  2. A preocupação com o cancro é evidente pelo aumento da incidência, e as seguradoras têm evoluído na resposta a esta procura. Esta evolução passou por reforçar os produtos base da oferta com capitais que garantem as despesas associadas aos tratamentos específicos. Como a quimioterapia e a radioterapia. A evolução passou também por aumentar o número de coberturas, quer a nível nacional, quer a nível internacional, diversificando o número de opções de tratamento. É esta diversificação que tem permitido dar resposta aos segurados, mantendo o preço dos produtos existentes.
  3. Importa contextualizar a pré-existência no ataul âmbito dos seguros de saúde. Este âmbito, reforça a responsabilidade da seguradora em pagar despesas relativas a situações de saúde que poderão surgir no futuro. Tal como acontece nos restantes ramos de seguro. Ou seja, para um limite de 500 mil euros para hospitalização, o valor atualmente pago mensalmente pelo segurado diz respeito à probabilidade futura de ter uma determinada doença. O pagamento da proteção para doenças já existentes, obrigará por parte da seguradora a um cálculo do valor mensal associado. Torna-se necessário esclarecer que estamos a falar de seguros de saúde que efetivamente garantem as despesas, e não de ofertas de desconto em que a pessoa terá de pagar a maior parte da despesa, independentemente do valor.

 

Sandra Moás
Country Manager da ASISA em Portugal

 

  1. A experiência diz-nos que, entre outras motivações, os segurados procuram e continuam a valorizar que o seguro de saúde lhes permita o acesso a serviços de saúde a preços acessíveis, com tempos de espera reduzidos e em horários de maior disponibilidade assim como a livre escolha de prestadores de confiança e de estabelecimentos de qualidade. Procuram sobretudo poder seguir a sua saúde e a dos seus de uma forma mais próxima e tranquila, com total autonomia de gestão de marcações e livre acesso. Mas se estas motivações básicas continuam a estar presentes quando se pensa em seguro de saúde, também é verdade que cada vez mais se procura no seguro de saúde um acompanhamento de medicina preventiva e de bem -estar.
  2. A preocupação com o cancro é evidente pelo aumento da incidência, e as seguradoras têm evoluído na resposta a esta procura. Esta evolução passou por reforçar os produtos base da oferta com capitais que garantem as despesas associadas aos tratamentos específicos. Como a quimioterapia e a radioterapia. A evolução passou também por aumentar o número de coberturas, quer a nível nacional, quer a nível internacional, diversificando o número de opções de tratamento. É esta diversificação que tem permitido dar resposta aos segurados, mantendo o preço dos produtos existentes.
  3. O seguro de saúde, à semelhança dos restantes ramos, serve para acautelar a eventualidade de um sinistro, um acontecimento fortuito ou inesperado. É com essa lógica que normalmente se excluem as doenças pré-existentes, ou se aplicam períodos de carência específicos, pois estando identificadas à partida dificilmente serão fortuitas ou inesperadas. Dito isto, existem propostas de seguros de saúde em Portugal que cobrem preexistências, mas para garantir resultados minimamente rentáveis e a continuidade da sua função social de proteção de bens e pessoas, esse risco não inesperado acaba por ser refletido, direta ou indiretamente, no prémio, o que desincentiva este tipo de oferta em detrimento das convencionais na altura da escolha final de produto. Há no entanto, dentro do âmbito da saúde, seguros para coberturas especificas, onde derivado da própria limitação da cobertura e risco, as pré-existências não são aplicadas, é o caso do seguro dental que a ASISA comercializa em Portugal desde 2015.

 

Ricardo Raminhos
Administrador executivo, MGEN

 

Para além das doenças pré-existentes muito frequentemente relacionadas com traumatologia, verificamos hoje um aumento muito significativo das doenças oncológicas. Estas doenças, quando manifestadas antes da subscrição de um vulgar seguro de saúde estão excluídas nas seguradoras tradicionais, por isso, a MGEN terá uma missão cada vez mais exigente na proteção das famílias e dos seus aderentes, em todas as situações de doença. E temos conseguido fazê-lo salvaguardando o equilíbrio técnico. Além disso, por não termos fins lucrativos, por não termos que remunerar acionistas, sobra mais dos prémios para que possamos fazer face a estes sinistros mais complicados.

A MGEN é uma seguradora mutualista de seguros de saúde. Ou seja, protege os seus aderentes, tal como as seguradoras tradicionais, mas sem os discriminar e sem fins lucrativos. Todos podem ter acesso ao mesmo tipo de proteção, aos mesmos preços em função do respetivo escalão etário, independentemente da situação física, idade, situação económica ou social. Regulada pelo código das associações mutualistas francês, todas as soluções de proteção da saúde são aplicadas sem qualquer limite de idade na adesão, sem limite de idade de permanência, sem resolução unilateral do contrato por parte da MGEN, sem exclusão de doenças graves mesmo as oncológicas, sem exclusão de situações clínicas preexistentes e sem questionários médicos. E temos conseguido fazê-lo salvaguardando o equilíbrio técnico.

A estratégia de parceria com as organizações profissionais nacionais, sindicais e associações similares, é a manifestação mais simples do impulso mutualista, mas hoje já é possível na MGEN fazer um seguro para proteger a saúde de toda a família, mesmo quando nenhum dos seus membros integra uma organização profissional ou mutualista.

A MGEN tem a responsabilidade, eu diria mesmo o “dever”, de promover e favorecer a vida mutualista nacional. Foi com base nesse princípio que, através do seu grupo mutualista VYV, se tornou na maior seguradora na Saúde na Europa protegendo, só em França, mais de 10 milhões de pessoas.

 

Miguel Ferreira
Responsável de Produto, Allianz Saúde

 

  1. Em primeiro lugar, o segurado procura frequentemente o equilíbrio entre a cobertura de serviços no seguro de saúde e o preço, bem como a tendência para a inovação da oferta, que é um fator cada vez mais importante. Acreditamos que o seguro de saúde deve estar ao alcance de todas as pessoas e, por isso, temos uma vasta oferta de soluções económicas e acessíveis. Verificamos também uma tendência crescente para a personalização da oferta de produtos e serviços, muito além da cobertura “tradicional” que estávamos habituados. O segurado interessa-se, cada vez mais, pelos benefícios associados, como os serviços de bem-estar. Por outro lado, o segurado é cada vez mais exigente e procura um serviço adaptado às suas reais necessidades, qualidade no atendimento e transparência nas informações transmitidas nas apólices. Os nossos clientes podem decidir, para cada membro do agregado familiar qual o tipo de seguro mais adequado, o que lhes permite ter mais flexibilidade. Para os segmentos que procuram soluções mais específicas, com necessidades particulares, como a diabetes, pretendemos, no futuro, desenvolver mais soluções e é neste sentido que temos trabalhado.
  2. A questão dos seguros oncológicos passa essencialmente pela existência de uma cobertura específica, tendencialmente com um capital mais elevado. Não temos uma oferta específica para seguros oncológicos, mas claro que damos cobertura aos clientes para esse tipo de patologia, enquadrada na configuração geral do nosso produto. Relativamente à possibilidade de criarmos uma cobertura específica para esse efeito, estamos a avaliar. Mas a procura deste tipo de solução, para já, não justificou uma priorização especial e como lançamos o novo produto Allianz Saúde no início do ano, estamos agora no momento certo para avaliar e implementar este tipo de soluções. A questão do preço para este tipo de cobertura, devido à sua natureza opcional, faz com que exista sempre um risco de anti-seleção mais considerável. Para tornar esta cobertura mais acessível há que avaliar a forma de distribuição, pois só alargando o universo de segurados podemos promover o mutualismo subjacente aos seguros e oferecer esta solução a um valor mais competitivo e sustentável.
  3. As pré-existências são uma questão cultural do mercado português, os seguros de saúde hoje são tarifados tendo em conta a incerteza relativamente ao estado futuro de uma pessoa segura e com o pressuposto de não cobrir patologias pré-existentes. O Grupo tem operações noutros países com outro tipo de modelos, em que as pré-existências estão cobertas. Para nós é sempre refrescante ouvir os pontos de vista dos colegas estrangeiros a este respeito. Neste tipo de modelo, a subscrição no momento de contratação assume uma relevância extrema, o preço fica mais adequado ao risco (estado de saúde de cada pessoa segura) e passa a existir uma ligação mais próxima entre segurado, seguradora e prestador de serviço, no sentido de acompanhamento permanente da saúde. É um modelo mais evoluído do que o atual, e acredito que o mercado e as seguradoras se têm que organizar para dar este passo em frente e efetivamente dar resposta também às necessidades de todos, independentemente do estado de saúde.

 

Sérgio Carvalho
Diretor de Marketing, Fidelidade

 

  1. Os seguros de saúde são hoje vistos principalmente numa perspetiva de consumo. As pessoas equacionam a utilização real que fazem do seguro, o número e custo das vezes que recorrem a serviços médicos, e fazem contas se “compensa” ter um seguro de saúde.Esta forma de encarar os seguros desvirtua completamente a sua essência. O seguro de saúde deve ser encarado com uma forma de garantir o financiamento do tratamento e cuidados, caso venha a ocorrer uma situação de saúde complicada, e que de outra forma a pessoa não teria possibilidade de suportar os custos. As coberturas de “consumo”, que dizem respeito às consultas, medicina dentária, óculos ou medicamentos são um ‘plus’ nos seguros de saúde e, no caso dos seguros ‘corporate’, um benefício para colaboradores ou associados. Não queremos, de forma alguma, com isto dizer que estes cuidados não sejam absolutamente necessários, mas são cuidados que, de uma forma geral, as pessoas conseguem suportar com os próprios recursos. As pessoas devem reequacionar a forma como olham para o seguro de saúde e vê-lo como de facto deve ser visto: uma segurança em caso de doença grave e inesperada.
  2. A Multicare lançou o primeiro seguro oncológico no mercado português, o Multicare Proteção Vital. Acreditamos que este é um excelente produto e que responde às necessidades, tendo em conta a perspetiva de crescente incidência das doenças oncológicas. A cobertura Oncológica garante o tratamento, sem franquias nem copagamentos, de forma global. Desde internamentos, cirurgias e tratamentos, passando por consultas de nutrição, psicologia, medicina dentária, próteses, e cuidados continuados e paliativos. Temos consciência de que não é um produto acessível a todas as bolsas mas os custos envolvidos não nos permitem, atualmente, praticar preços mais baixos.
  3. Os seguros são, por definição, destinados a cobrir um determinado risco, isto é, a possibilidade de uma ocorrência. Uma pré-existência não é um risco, é uma certeza. Assim, as pré-existências estão, por definição, excluídas dos seguros, incluindo os de saúde. Excecionalmente, e após uma cuidada avaliação do risco, poderão ser aceites mediante condições também elas diferenciadas de acordo com a avaliação efetuada.

 

Artur Lucas
Diretor de Marketing & Comunicação, Zurich

 

  1. Os portugueses procuram um acesso rápido e imediato a uma rede de cuidados de saúde que responda eficazmente a determinada patologia ou situação que requeira uma intervenção cirúrgica urgente, valorizando planos de saúde abrangentes, que integrem todos os atos médicos normalmente praticados no SNS. Assumem particular relevo as coberturas de âmbito ambulatório dada a frequência com que são utilizadas – também porque respondem às patologias mais usuais -, mas é a cobertura de hospitalização a que mais preocupa os portugueses e onde mais se investe. A Zurich regista uma crescente procura pela cobertura de estomatologia. Saliente-se que, a oftalmologia, exames e análises de diagnóstico estão inseridas nas coberturas ambulatórias. Ao contratualizar um seguro deste tipo, o cliente procura, essencialmente, qualidade e disponibilidade das instituições privadas. Em todo o caso, é conveniente ter presente que os planos privados comportam limites de capital, pelo que devem ser entendidos como um complemento ao sistema nacional de saúde. Além destes aspetos, a procura está alinhada com a diversidade de coberturas e capitais, assim como de planos para que seja possível escolher o mais conveniente e, por fim, diferenças de perfis.
  2. Os seguros de saúde contemplam a cobertura de doenças oncológicas, mas depende do plano contratado. São efetivamente cada vez mais os portugueses que no momento da compra equacionam a contratação de um plano abrangente, por forma a incluir as questões oncológicas, tanto mais que algumas apólices oferecem tratamentos em Portugal e no estrangeiro. A solução Zurich Saúde disponibiliza a cobertura de Doenças Graves, na qual se inclui o cancro, até um capital de um milhão de euros, com acesso a uma rede internacional de hospitalização. A adaptação do preço é feita tendo em conta inúmeros fatores. No entanto, quem procura as coberturas oncológicas valoriza mais o capital do que propriamente o prémio associado a este plano.
  3. Nos planos de saúde, por regra, as pré-existências são excluídas. A Zurich disponibiliza duas soluções para particulares e uma para PME, sem excluir soluções feitas à medida para médias e grandes empresas. As soluções incluem coberturas como a Assistência Hospitalar, Parto, Assistência Ambulatória, Cobertura Internacional e Estomatologia. A Zurich Saúde Sénior, por exemplo, é dirigida a pessoas com mais de 55 anos, permite uma subscrição até aos 75 anos, e não tem idade ou limite de permanência, nem obrigatoriedade de preencher questionário médico prévio.
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