A União Africana (UA) reagiu na noite deste sábado aos ataques dos Estados Unidos à Venezuela, tendo comunicado que está a “acompanhar com grande preocupação” a situação no país, “incluindo relatos do rapto do Presidente da República, Nicolás Maduro, e ataques militares às instituições venezuelanas”.
Em comunicado, a organização internacional “reafirma o seu firme compromisso com os princípios fundamentais do direito internacional, incluindo o respeito pela soberania dos Estados, a sua integridade territorial, e o direito dos povos à autodeterminação, tal como consagrado na Carta das Nações Unidas”, ao mesmo tempo que “sublinha a importância do diálogo, da resolução pacífica de conflitos, e do respeito pelos quadros constitucionais e institucionais, num espírito de boa vizinhança, cooperação e coexistência pacífica entre as nações”.
“A União Africana salienta que os complexos desafios internos que a Venezuela enfrenta só podem ser abordados de forma sustentável através de um diálogo político inclusivo entre os próprios venezuelanos”, lê-se na mesma nota da instituição cuja presidência rotativa foi assumida no ano passado pelo Presidente de Angola, que, até agora, não se pronunciou sobre os ataques.
A organização sediada em Adis Abeba manifesta, ainda, “a sua solidariedade com o povo venezuelano e reitera o seu compromisso com a promoção da paz, da estabilidade e do respeito mútuo entre as nações e regiões”.
“A União Africana apela a todas as partes envolvidas para que deem provas de contenção, responsabilidade e respeito pelo direito internacional, a fim de evitar qualquer escalada e preservar a paz e estabilidade regionais”, finaliza.
Do lado da Organização das Nações Unidas, o secretário-geral António Guterres alertou que a ação dos EUA na Venezuela abre “um precedente perigoso”. Segundo o porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, Guterres “continua a enfatizar a importância do pleno respeito – por todos – do direito internacional, incluindo a Carta da ONU” e “está profundamente preocupado com o facto de as normas do direito internacional não estarem a ser respeitadas”.
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