Esta conversa com Hernâni Miguel teve banda sonora. Era inevitável. A voz quente de Samara Joy – cocktail explosivo de Sarah Vaughan, Billie Holiday e Ella Fitzgerald – acompanhou-nos, reverberou pelo espaço sideral e sentou-se ao nosso lado, numa poltrona de couro do Tabernáculo, o espaço que Hernâni mantém no nº 218 da rua de São Paulo, ao Cais do Sodré, em Lisboa.
A “porta aberta” é uma imagem de marca deste empresário, nome incontornável da noite lisboeta nos anos 80 e 90, africano alfacinha, mentor de bares icónicos da cidade e um dos grandes responsáveis por colocar o rap português no mapa, através do histórico álbum “Rapública”, que celebra 30 anos em 2024. Foi manager dos Black Company, Boss AC, Da Weasel, Djamal, Ithaka, Blackout e Alex e os Putos do Bairro. Atento ao mundo que o rodeia, não vive sem música nem prescinde da inquietude.
Tal como não esquece os seus muitos projetos e a marca que deixou em Lisboa, do Lábios de Vinho ao Funky e Noites Longas, passando pelo mítico Targus, onde criou uma comunhão muito especial entre pessoas muito diferentes, sob o signo da música, da estética e do “bem”. As tertúlias, outra paixão sua, têm mesa reservada todas as semanas no Tabernáculo, para falar de passado e futuro, pois Hernâni dispensa o saudosismo como forma de estar.
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