Não é novidade que, ao longo dos últimos anos, o número e a sofisticação dos ciberataques têm vindo a crescer. Portugal não é exceção a esta regra, tendo o país vindo a adotar algumas medidas importantes, quer no sentido de melhorar a sua postura geral em relação à cibersegurança, quer na cooperação com parceiros nacionais e internacionais, nomeadamente a ENISA (Agência Europeia para a Cibersegurança) e o CCDCOE (NATO Cooperative Cyber Defense Centre of Excellence).

Quando comparamos o setor de cibersegurança do nosso país com o do resto do mundo, conseguimos perceber que algumas das principais diferenças prendem-se com as características do nosso tecido empresarial. Este é maioritariamente formado por PME que, no geral, não possuem os recursos que observamos nas multinacionais para prevenção e resposta a cibercrimes. É por isso que, em Portugal, o papel do Estado e da comunidade se revelam bastante mais importantes do que noutras realidades.

Tendo isto em conta, na minha perspetiva, é fundamental adotar uma abordagem mais colaborativa à cibersegurança em Portugal, permitindo enfrentar os desafios de forma conjunta com outras organizações, agências e indivíduos. Esta abordagem pode ser aplicada dentro de uma organização, entre diferentes organizações ou mesmo em setores inteiros.

A operacionalização de uma abordagem colaborativa para a cibersegurança envolve a implementação de um conjunto de processos e procedimentos para facilitar a comunicação. Uma abordagem deste tipo pode ser concretizada de várias formas, nomeadamente através da partilha de informações sobre vulnerabilidades e incidentes, permitindo que organizações e indivíduos estejam atualizados acerca das ciberameaças mais recentes e criando também uma relação de confiança entre estes.

As organizações podem ainda promover ou participar, conjuntamente, em fóruns, conferências e eventos de cibersegurança. Realizar exercícios e ações de formação pode também permitir às organizações praticar, em conjunto, possíveis respostas a uma ameaça simulada. Para além disto, é possível estabelecer um processo entre as organizações para coordenar os esforços contra ciberameaças, incluindo, por exemplo, parcerias público-privadas e acordos de cooperação, no sentido de partilhar melhores práticas para a proteção dos seus interesses partilhados.

Entre as diversas vantagens associadas ao desenvolvimento de uma abordagem colaborativa à cibersegurança, destaco seis:

1) Mais eficiência

Ao permitir que as organizações partilhem recursos e conhecimento, uma abordagem colaborativa pode levar a práticas de segurança mais eficientes e eficazes face a possíveis ameaças, com soluções mais adequadas;

2) Maior conhecimento em relação às ameaças

A partilha de informação proporciona que as organizações tenham uma perspetiva mais completa e precisa do cenário de ciberameaças, podendo ajudá-las a proteger melhor os seus sistemas e redes;

3) Resposta otimizada a incidentes

Uma abordagem colaborativa pode melhorar os recursos de resposta a incidentes, permitindo que as organizações coordenem os seus esforços para os conter e ultrapassar, garantindo que as ameaças sejam resolvidas rapidamente;

4) Conformidade regulamentar

A partilha de informação, entre organizações e indivíduos, sobre práticas recomendadas e ameaças emergentes, pode contribuir para que estes cumpram regulamentações e padrões estabelecidos;

5) Economia de custos

Ao permitir que as organizações partilhem recursos, a colaboração pode reduzir o investimento individual em cibersegurança. Entre os recursos partilhados, podem constar feeds de inteligência de ameaça, sistemas de deteção e prevenção de invasões, e equipas de resposta a incidentes;

6) Maior resiliência

Por fim, uma abordagem colaborativa à cibersegurança pode fazer com que as organizações criem uma maior resiliência contra ciberameaças, podendo ajudar a melhorar a postura geral de segurança das mesmas, a médio e longo prazo.

A crescente sofisticação dos ciberataques representa um grande desafio para Portugal e para as empresas que constituem o seu tecido empresarial – nomeadamente as PME, que possuem recursos limitados para lidar com este tipo de crimes. Adotar uma abordagem colaborativa à cibersegurança – promovendo a partilha de informação, conhecimento e recursos entre organizações e indivíduos – apresenta um grande potencial no sentido de melhorar a preparação e os procedimentos em relação a este tipo de ameaças, numa perspetiva mais global.

É, por isso, fundamental que o nosso país continue a trabalhar em conjunto com parceiros nacionais e internacionais para consolidar esta área e proteger a sua economia e infraestrutura crítica.