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CCB de Portas Abertas: 24 horas de música com carta aberta a Pedro Carneiro

O Centro Cultural de Belém, em Lisboa, convoca o público para uma maratona de música concebida pelo instrumentista, chefe de orquestra e compositor, Pedro Carneiro.
CCB
22 Junho 2023, 16h24

Dia 24 de junho várias forças confluem ao Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa. A força da música, para assinalar o “Dia de Portas Abertas” ao público, ocasião em que termina a Carta Branca a Pedro Carneiro, com uma maratona de 24 horas de música. E também a força de uma nova temporada, 2023-2024, que será apresentada neste mesmo dia.

O mote, esse, mantém-se: Um Chão Comum. Porquê? Porque pretende ser “uma reflexão sobre os tempos em que vivemos, demasiado clivados entre posições que não se questionam e que não parecem abertas a negociações”, como se lê na introdução ao programa da nova Temporada 2023-2024. Daí a ideia de “chão comum”, princípio que a instituição quer aplicar e nutrir entre as diferentes práticas artísticas, por forma a promover diálogos entre artistas e públicos, e criar vasos comunicantes entre as diferenças que habitam e constituem as artes.

No dia 24 de junho, o público poderá contactar diretamente os programadores do CCB para conhecer de perto os espetáculos que aí vêm, e desfrutar em família das oficinas que terão lugar no Museu CCB e na Fábrica das Artes.

E se a mediação e a educação vão estar em foco neste “chão comum”, não estará a menos a vontade de, enquanto instituição cultural e artística, propor uma programação que prima pela “abertura ao outro, ao diverso e ao que não sabemos classificar”. Dos ciclos de orquestras à ópera, do ciclo Sexta Maior – uma viagem desde a música antiga à música dos nossos dias – aos concertos comentados de domingo de manhã, se faz a próxima temporada, sem esquecer os momentos que no CCB acolhem festivais, como o Festival de Almada, o Temps D’Images e o Alkantara Festival, dança e teatro, sempre, além de uma “Retro-prospectiva do corpo de (e no) trabalho de João Fiadeiro”, a decorrer de abril a julho de 2024.

O final de tarde de quinta-feira traz “Pensamento”, pela mão de Helena Vasconcelos, que entre setembro de 2023 e maio de 2024, irá questionar alguns dos temas com os quais filósofos, artistas, pensadores ou simples mortais se confrontam. Pode consultar aqui toda a programação da nova Temporada, mas reserve espaço para as 24 horas impregnadas de música que o CCB propõe já para este sábado, 24 de junho.

“Alvorada”, 10h00, caminho pedonal | entrada livre

Para os gaiteiros, a Alvorada é considerada um género musical autónomo. Nalguns exemplares desse repertório o contorno da melodia procura reproduzir o movimento ascendente e descendente do Sol. Tiago Morais e Ricardo Brito, da Associação Gaita-de-Foles, Pedro Carneiro e o Grupo de Percussão da Orquestra de Câmara Portuguesa (OCP) dá o tiro de partida desta maratona.

“Meditação”, 11h00, praça do CCB | entrada livre

A estreia absoluta desta Meditação caberá a uma Orquestra Participativa, formada por todos os músicos e não músicos, profissionais e amadores, alunos e entusiastas, de todas as idades, que nela quiserem participar com os seus instrumentos e a sua voz.

“Itinerários” | Solos, duos e trios | vários espaços

Pretexto para ver e escutar o CCB por dentro e por fora, viajando, através da música e do movimento. As propostas são ecléticas. Siga os artistas e a “banda sonora”.

“Madrigais”, de Carlo Gesualdo, 17h00, Foyer do Grande Auditório (Piso 2) | entrada livre

Sob a direção do maestro Sérgio Fontão, as Voces Caelestes propõem uma visita guiada pelas partituras deste compositor italiano e pelas suas magistrais descrições das agonias e êxtases do amor.

“Pléïades” de Iannis Xenakis, 19h00, Palco do Grande Auditório | bilhete 5€

O Grupo de Percusão da OCP, sob a direção de Henrique Constância, executa esta obra de Xanakis, escrita para um sexteto de percussão, onde o aglomerado de estrelas azul quente da constelação de touro se cruza com a mitologia grega, as irmãs-ninfas filhas do titã Atlas e Pleione, a filha do oceano.

“A arte da fuga” de Sebastiian Bach, 21h00, Sala Luís de Freitas Branco | bilhete 5€

O quarteto de cordas da Orquestra de Câmara Portuguesa, composta por jovens profissionais, alumni da Jovem Orquestra Portuguesa, propõe-se tocar excertos destas maravilhosas fugas e cânones.

“A Vida é Sempre Preferível, ou o monólogo do sal para lhe completar a medida” de Miguel Azguime, 23h00, Black Box | estreia absoluta

Eis a nova versão do novo espetáculo de poesia sonora no qual o compositor, o poeta e o performer se voltam a reunir num só, a solo, para uma nova incursão pela palavra enquanto música, e pela música enquanto palavra.

“For Philip Guston”, de Morton Feldman, 01h00 (25 junho), receção do Módulo 1 | bilhete 5€

Durante mais de quatro horas, um flautista, uma pianista e um percussionista tocam música intimista, no limiar do silêncio. Uma das obras derradeiras do músico norte-americano, aqui interpretada por Borges Maia (flauta), Joana Gama (piano e celesta) e Pedro Carneiro (vibrafone, marimba, glockenspiel e sinos), é também o derradeiro momento desta “Carta Branca”.


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