Dois dos membros do Banco Central Europeu que mais têm defendido a subida das taxas de juro tiveram esta semana declarações que indiciam que algo poderá estar a mudar.
Joachim Nagel, presidente do Bundesbank, confirmou que as taxas de referência deverão subir este mês, mas expressou cautela em relação a possíveis medidas de aperto monetário em setembro, afirmando que “veremos o que os dados nos dirão”. O seu congénere dos Países Baixos, Klaas Knot, também afirmou que a subida das taxas para além da reunião de julho está longe de estar garantida.
Estas declarações vêm no seguimento de dados da inflação abaixo do esperado nos EUA, Reino Unido e China, e perante a perspetiva de uma nova desaceleração do ritmo de alta dos preços na zona euro em julho.
Por outro lado, têm subido de tom as críticas de vários quadrantes, incluindo de instituições supranacionais, acerca da eficácia e pertinência de juros mais altos, até porque as economias têm dado sinais de desaceleração, sobretudo na componente industrial, discutindo-se se não haverá outras formas de controlar a inflação.
A inflação subjacente continua elevada, mas a transmissão da política monetária pela via taxas de juro tem sido limitada, até porque a subida da remuneração dos depósitos não tem motivado as famílias a poupar (as que têm capacidade para isso). Por outro lado, nota-se uma maior preferência por serviços, mais intensivos em trabalho e por isso mais suscetíveis a terem subidas de preços nesta fase, sobre a qual a subida dos juros não irá surtir impacto.
Juros ainda mais altos poderão resultar em insolvências “desnecessárias”, de empresas e de particulares, e agravamento dos custos com a habitação, prejudicando sobretudo quem tem menores rendimentos, sem que com isso se contribua significativamente para uma queda da inflação.



