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CEO do BPI diz que venda do BFA está suspensa e podem entrar mais interessados

“A possibilidade de outros entrantes está sempre em aberto”, disse o CEO do BPI que lembrou que todas as partes, incluindo o maior acionista, a Unitel, estiveram sempre informadas do processo. 
Cristina Bernardo
28 Julho 2023, 13h30

O CEO do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, falava na conferência de imprensa de apresentação de resultados do primeiro semestre, quando foi questionado pela venda do Banco de Fomento Angola.  O presidente do BPI disse que a volatilidade cambial, ou seja, a desvalorização do kwanza face ao dólar e face ao euro, justificou a suspensão do processo de venda em curso. Mas admitiu que quando a venda for retomada, por ser um processo aberto, podem entrar novos interessados. “O processo está só suspenso”, frisou.

“A possibilidade de outros entrantes está sempre em aberto”, disse o CEO do BPI que lembrou que todas as partes, incluindo o maior acionista, a Unitel, estiveram sempre informadas do processo.

Recorde-se que o BPI informou por carta os dois candidatos à compra dos 48,1% do BFA que o processo estava suspenso, devido à desvalorização do kwanza. Isto uma semana antes do prazo estabelecido para formalizarem a proposta final. Os grupos angolanos Gemcorp e Carrinho tinham de apresentar propostas para 48,1% do BFA até 18 de Julho.

Em termos práticos, a avaliação dos 48,1% do BFA que tinha sido feita por 411 milhões de euros, caiu para cerca de 280 milhões por causa da desvalorização do kwanza, o que determinou a suspensão da venda.

Tal como o Jornal Económico avançou em primeira mão, o BPI contratou a Exotix para vender o BFA.

A Unitel detêm 51,9% do capital, mas a venda do BFA pelo BPI não terá de estar alinhada com o maior acionista. Isto é, a venda do BPI não tem de estar relacionada com o processo de privatização. A Unitel pode vender parte do BFA em bolsa, tal como já foi noticiado, e o BPI não precisa de vender os 48,1% em simultâneo, explicou o CEO do BPI que não quis adiantar mais detalhes sobre as soluções que estão previstas para a situação de o BPI regressar ao estatuto de maior acionista do BFA, o que implicaria que tivesse de consolidar integralmente o banco angolano nas suas contas, ao arrepio do que recomenda o Banco Central Europeu.

O BFA deu ao BPI 41 milhões de euros de dividendos para o resultado consolidado.

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