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Espanha: Filipe VI e Pedro Sánchez em rota de colisão

O rei parece estar muito pouco confortável com a eventualidade de assinar a Lei da Amnistia que servirá de cimento à aliança entre o PSOE e o Junts per Catalunya. A atual crise política pode redunda numa enorme crise política.
14 Setembro 2023, 10h43

O rei de Espanha, Felipe VI, e o provável futuro presidente do próximo governo, o socialista Pedro Sánchez, podem estar a passar por um período de forte desentendimento por causa do processo de amnistia que está a ser gizado para Carles Puigdemont, lidero do Junts per Catalunya, cujo suporte parlamentar ao próximo executivo é essencial.

Segundo adianta alguma imprensa espanhola, Filipe VI está muito pouco interessado em assinar qualquer amnistia – ou, dito de outra forma, está interessado em não assinar qualquer amnistia. Tudo porque, quando o caso surgiu – depois do referendo organizado em 2017 sobre a independência da Catalunha – Filipe VI foi muito definitivo nas ‘repreensões’. O temor é que uma amnistia em 2023 pode desacreditar o próprio rei face ao que disse sobre a matéria em 2017.

Mas a história está a assumir contornos de novela. Segundo uma fonte citada pela EDA TV, Pedro Sánchez foi convidado, juntamente com o seu porta-voz e restante comitiva, a deixar a Zarzuela pela Guarda Real depois de ter ameaçado o rei Felipe VI face a uma eventual recusa em assinar a Lei de Amnistia. “O rei já deixou claro ao seu círculo mais próximo que enfrentará com responsabilidade uma crise institucional em vez de permitir o colapso da Constituição”, refere aquele órgão de comunicação.

Felipe VI está a conversar com políticos de diferentes áreas políticas, mas pode assumir que não está disponível para assinar a amnistia, o que poderá criar um forte conflito político. Filipe VI está respaldado pela Constituição, pelo que Sánchez tem pouca margem para impor como inevitável aquilo que acordou, ou terá acordado, com Puigdemont.

Para todos os efeitos, Sánchez está a enfrentar uma forte barragem da direita e da extrema-direita por causa das suas futuras ligações com os independentistas. Mas tem-se defendido recordando que os compromissos com os independentistas não são propriamente uma novidade. De facto, os seus dois últimos executivos passaram o crivo parlamentar precisamente porque tiveram o apoio tanto dos independentistas catalães como dos bascos.

O tema ganhou novos contornos quando, durante a campanha eleitoral, o Partido Popular pegou no tema como um escândalo político – o facto de o braço político da ETA apoiar os socialistas – e o Vox seguiu atrás.

Ainda esta semana, o antigo presidente do governo popular José Maria Aznar afirmou, citado por vários jornais, que “Sánches não está cativo dos separatistas: é cúmplice deles”, tentando fazer uma ‘ligação direta’ entre o socialista e uma qualquer secessão futura. Recorde-se que Aznar acabou sair da vida política ativa quando, na sequência dos atentados de 11 de março de 2004, que mataram 192 pessoas, acusou a ETA de ser por eles responsáveis quando finalmente se provou terem sido perpetrados pela Al-Qaeda.


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