O rio Vístula percorre cerca de mil quilómetros atravessando a Polónia. Em Cracóvia, os habitantes tratam-no carinhosamente por “Visla”, percorrem as suas margens languidamente a pé ou de bicicleta, contemplando o casario e a relva que cresce ao sabor do outono que se anuncia, num setembro luminoso.
Esta cidade antiga com fachadas ao estilo italiano, museus, palácios e igrejas respira lado a lado com a cidade jovem e boémia, com cafés que tanto devem ao vintage como ao design contemporâneo, preservando a memória histórica e enaltecendo a escala humana da segunda maior cidade polaca. “Tudo fica perto, e basta cruzar o Visla para conhecermos as suas diferentes facetas”, diz Jerzy, antes de um gracejo. “Cracóvia resiste devido à sua «enorme beleza»”.
Desde o nascimento daquela que foi a primeira capital da Polónia – cujo estatuto manteve por seis séculos – que a cidade resistiu sempre ao invasor. Dos tártaros no séc. XIII aos suecos no séc. XVII, passando pelos austríacos no séc. XIX e, mais tarde, no séc. XX, dos nazis e comunistas. Todos preferiram fazer de Cracóvia a sua morada, ao invés de destruí-la. Já em pleno século XXI, os “novos invasores” têm intenções pacíficas. São turistas em busca das muitas facetas da cidade que, em 1978, a UNESCO classificou como Património Cultural da Humanidade.
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