Os especialistas do Deutsche Bank fazem esta terça-feira algumas comparações entre o contexto macroeconómico mundial que se vive a estagflação ocorrida na década de 1970, quando a taxa inflação era elevada meta, os custos energéticos disparavam e havia guerra no Médio Oriente.
Numa nota de research do banco alemão, divulgada esta manhã pelo jornal britânico “The Guardian”, os analistas Henry Allen e Cassidy Ainsworth-Grace escrevem que há um “número impressionante de semelhanças” entre os anos 70 e os dias de hoje. Porquê?
“A inflação permanece acima da meta nas principais economias, assistimos a fortes aumentos nos preços da energia nos últimos anos e tem havido uma agitação industrial crescente”, começam por argumentar os analistas.
“No fim de semana, os ataques a Israel mostraram como o risco geopolítico pode regressar inesperadamente. E também estamos a assistir a um evento El Niño [alterações climáticas] este ano, que ecoa para um evento semelhante no início da década de 1970, que exerceu pressão ascendente sobre os preços dos alimentos”, advertem.
Ainda assim, é importante mencionar que a maior causa da estagflação dessa década tenha estado relacionada com o petróleo, quando o grupo OPAEP – A Organização dos Países Árabes Exportadores de Petróleo definiu um embargo petrolífero durante a Guerra do Yom Kippur (Guerra Árabe-Israelita de 1973, Guerra de Outubro, Guerra do Ramadão ou Quarta guerra Árabe-Israelita), como lembra o Deutsche Bank.
Apesar de ontem terem subido cerca de 3%, os preços do ouro negro estão agora a descer ligeiramente e fixam-se em torno dos 87 dólares por barril. Os analistas da BA&N lembram ainda que, após disparar 27% no terceiro trimestre para máximos de novembro, o petróleo corrigiu 11% na semana passada devido aos sinais mais intensos de abrandamento na procura.
“O Citigroup aguarda um impacto duradouro na cotação da matéria-prima em resultado destes desenvolvimentos que estão a provocar um agravamento da turbulência numa região com elevados níveis de produção de petróleo. De acordo com o analista Ed Morse, a Arábia Saudita pode não acabar tão cedo com o corte unilateral de produção e os Estados Unidos poderão avançar com sanções mais restritivas ao Irão”, lê-se na research desta manhã consultada pelo Jornal Económico.
Quanto à inflação, em Portugal será o INE a divulgar na quinta-feira os números oficiais do IPC em setembro, que serão importantes para conhecer o verdadeiro ritmo de evolução dos preços no país. De acordo com a estimativa, publicada no final do mês passado, a taxa inflação terá voltado a abrandar ligeiramente, de 3,7% para 3,6%, após uma subida em agosto.
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