[weglot_switcher]

“Operação Rappel”: PJ apreende 500 mil euros em dinheiro e 4 carros de luxo a funcionários do Pingo Doce

A Polícia Judiciária deteve quatro pessoas esta quarta-feira, 12 de junho, por prática de crimes de branqueamento de capitais e de corrupção passiva e ativa no setor privado no âmbito da “Operação Rappel” desencadeada pela Polícia Judiciária (PJ) na Grande Lisboa que levou à constituição de 10 arguidos. PJ apreendeu quatro viaturas de luxo e 500 mil euros em numerário disperso pelas casas dos detidos, fois altos funcionários, responsáveis pela central de compras da cadeia de supermercados do Pingo Doce, por corrupção passiva, e dois responsáveis da empresa de fornecimento de peixe, por corrupção ativa.
12 Junho 2019, 18h09

O JE sabe que os suspeitos favoreciam determinados fornecedores a troco de compensações, num esquema que estava a ser investigado há mais de dois pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC) da PJ e que contou com a colaboração do grupo Jerónimo Martins, depois de as suspeitas terem sido comunicadas pela própria empresa. Nesta quarta-feira, 12 de junho, foram realizadas 18 buscas, tendo a PJ apreendido viaturas de topo de gama, documentos, material informático e cerca de 500 mil euros em numerário.

Os dois funcionários do supermercado que foram detidos terão recebido mais de um milhão de euros em subornos por parte da empresa fornecedora. Objetivo: afastar concorrentes com ofertas mais competitivas para a Jerónimo Martins, tendo as duas partes lesado financeiramente a empresa que gere o Pingo Doce no âmbito de praticas comerciais designadas por rappel – desconto concedido ao comprador sempre que este atinja ou ultrapasse um determinado volume de compras, e que incide sobre o valor total da mercadoria vendida.

Além dos quatro detidos foram constituídos arguidos outros seis funcionários da Jerónimo Martins constituídos arguidos, nomeadamente um funcionário que exerce funções na Polónia.

Entre os detidos estão três homens e uma mulher, entre os 40 e os 65 anos, “já com alguma responsabilidade na empresa”, segundo fonte policial. Serão agora sujeitos a interrogatório e a medidas de coação. A investigação prosseguirá depois no Departamento de Investigação e Ação Penal, em Loures.


Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.