Mais uma boa notícia para Portugal. Um estudo da Roland Berger revela que mais de 75% dos profissionais do setor antecipam um aumento no volume de fusões e aquisições. Portugal e Espanha afirmam-se como “portos seguros” para o capital internacional.
Após um período de maior contenção, o mercado de private equity em Portugal prepara-se assim para entrar num novo ciclo de crescimento. De acordo com o relatório European Private Equity Outlook 2026 da consultora Roland Berger, o país deverá acompanhar a recuperação europeia, beneficiando de melhores condições de financiamento e do desbloqueio de operações de fusões e aquisições (M&A) que ficaram em suspenso nos últimos dois anos. Ou seja, em 2026, os investidores deverão retomar negócios que haviam sido adiados nos últimos dois anos.
Outra das conclusões do estudo é que a digitalização e integração de Inteligência Artificial (IA) assumem umpapel central nas estratégias dos fundos de private equity para 2026.
O estudo destaca que a Península Ibérica é agora vista como um “porto seguro” (safe harbor) pelos investidores. Embora a região tenha registado uma ligeira quebra de 5% no volume de transações entre 2024 e 2025 — contrastando com o crescimento médio europeu de 13% —, as perspetivas para 2026 são de clara inversão.
As vendas entre fundos (sponsor-to-sponsor) tendem a ganhar relevância, segundo a consultora, antecipando-se igualmente uma recuperação das operações com investidores estratégicos e maior dinamismo no mercado de IPOs (ofertas públicas iniciais), beneficiando de um enquadramento financeiro mais estável.
João Cunha, Principal da Roland Berger, sublinha que “Portugal e Espanha encontram-se bem posicionados para capitalizar as oportunidades emergentes”, reforçando que o foco na inovação e no crescimento sustentável será um íman para o capital estrangeiro.
Com um enquadramento económico favorável e um apetite crescente por investimento, as sociedades de Private Equity encontram-se bem posicionadas para capitalizar as oportunidades emergentes em diversos setores”, afirma João Cunha, Principal da Roland Berger. “Este dinamismo não só reflete a resiliência destes mercados, como também evidencia o potencial para retornos substanciais sobre o investimento. Olhando para o futuro, a aposta na inovação e no crescimento sustentável em Portugal e em Espanha irá, certamente, atrair mais capital, tornando este um momento particularmente estimulante para os investidores de Private Equity na região”.
Para este ano, a estratégia dos fundos assenta em três pilares fundamentais. O primeiro é a Digitalização e IA. A integração de Inteligência Artificial e a criação de valor operacional são agora centrais nas teses de investimento.
O segundo é sobre o segmento Mid-Cap. As pequenas e médias empresas deverão ser o principal motor de atividade, oferecendo avaliações mais equilibradas.
O terceiro são os setores resilientes. A tecnologia, software, saúde e logística continuam a liderar as preferências dos investidores.
Para a edição deste ano do European Private Equity Outlook, foram contactados cerca de 3.500 especialistas de empresas de investimento em private equity e assessores de M&A em toda a Europa.
Apesar de os múltiplos de avaliação ainda serem considerados elevados por metade dos profissionais, 40% já considera que os ativos estão avaliados de forma justa (fairly valued). Neste novo ciclo, o sucesso dos investimentos dependerá da capacidade de apresentar planos de criação de valor claros e validados logo na fase inicial dos processos.
Em resumo, a Roland Berger diz que mais de 75% dos especialistas europeus preveem um aumento das transações, com as vendas entre fundos (sponsor-to-sponsor) a ganharem nova relevância num cenário de maior estabilidade macroeconómica. Já para 2026, a criação de valor operacional através de aquisições complementares (add-ons), digitalização e integração de inteligência artificial assumirá um papel central nas estratégias dos fundos.
“O sucesso dependerá cada vez mais da preparação estratégica prévia e da capacidade de apresentar, desde o início, planos de criação de valor claros e validados internamente, capazes de assegurar aprovação célere nos comités de investimento”, defende a Roland Berger.
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