A organização recolheu 3.919 toneladas de têxtil usado ao longo do último ano, um aumento de 2,19% face a 2024. Ainda assim, este indicador positivo não foi suficiente para compensar os desafios estruturais que afetam o setor. Em resposta, a entidade decidiu reduzir significativamente a sua rede de recolha, passando de mais de mil contentores para os atuais 653, concentrados sobretudo na Área Metropolitana de Lisboa.
A decisão surge num contexto de pressão sobre a sustentabilidade da atividade. Em comunicado, a organização refere que a medida visa “manter a sustentabilidade da sua atividade”, fortemente impactada pelo aumento dos custos logísticos e operacionais.
Também ao nível das vendas, os resultados mantiveram-se estáveis. Em 2025, foram comercializadas cerca de 2,8 milhões de peças em segunda mão, distribuídas por mais de um milhão de clientes, um desempenho semelhante ao registado no ano anterior.
No entanto, a crescente popularidade da moda em segunda mão não tem sido suficiente para contrariar os efeitos da expansão da fast fashion e da ultra fast fashion. A qualidade das peças recolhidas tem vindo a deteriorar-se, reduzindo a sua durabilidade e potencial de reutilização, o que compromete a rentabilidade do setor.
Atualmente, a taxa de reutilização do têxtil recolhido pela organização situa-se nos 61%. Deste total, cerca de 21% é vendido nas lojas próprias, enquanto 40% é reutilizado fora da Europa. O restante segue para reciclagem, tanto dentro como fora do espaço europeu.
Em paralelo, a entidade continua a expandir a sua presença comercial. Com a abertura de três novos espaços em 2025, a rede conta agora com 24 lojas em Lisboa e no Porto, nos segmentos de família e vintage.
Os lucros gerados por esta atividade são canalizados para projetos sociais e ambientais. Em Portugal, a organização apoia iniciativas de sensibilização para o consumo responsável e impacto ambiental do setor têxtil. Internacionalmente, financia programas de desenvolvimento em países como Moçambique e Guiné-Bissau, nas áreas da educação, saúde, agricultura e desenvolvimento comunitário.
A operar em Portugal desde 1998, a Humana afirma-se como uma das principais entidades na recolha e tratamento de têxtil usado, integrando a economia social e promovendo a economia circular. Desde 2022, é reconhecida como instituição de Utilidade Pública.
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