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Fundador da Wikipédia apela à greve de redes sociais

O fundador da Wikipédia, Larry Sanger, está a pedir a todos os utilizadores de rede sociais que façam uma ‘greve’ nos dias 4 e 5 de julho. A greve tem como objetivo boicotar as grandes empresas responsáveis pelas maiores redes sociais do planeta, avança o site 4Gnews.
1 Julho 2019, 13h20

Larry Sanger pretende que as empresas devolvam privacidade e controlo sobre os seus dados aos utilizadores. O fundador da Wikipédia pede essencialmente um sistema de redes sociais descentralizado com mais poder para o utilizador, avança, nesta segunda-feira, 1 de julho, o site especializado em tecnologia 4Gnews. Para passar esta mensagem, Sanger propõe que todos os utilizadores de rede sociais que façam uma ‘greve’ no dia 4 e 5 de julho, recordando que Facebook, Instagram, Snapchat e outras redes sociais todas dependem dos seus utilizadores para se manterem sustentáveis.

“Atualmente, a maior queixa relacionada com redes sociais é a falta de transparência sobre a privacidade dos seus utilizadores. O Facebook, por exemplo, está constantemente a ser o centro de escândalos de fuga de dados”, recorda o site 4Gnews, acrescentando que para Sanger, o sistema de redes sociais ideal daria controlo total ao utilizador dos seus dados “podendo vê-los, modificá-los ou removê-los como quiser”.

De acordo com este site, sem dados como ‘moeda de troca’, as empresas de redes sociais seriam obrigadas a direcionar o valor do seu produto para a experiência de utilização, não para a quantidade de dados que, diz, “consegue ‘minar’”.

O site 4Gnews realça que Facebook, Instagram, Snapchat e outras redes sociais todas dependem dos seus utilizadores para se manterem sustentáveis.

“Um dia ou dois com uma descida considerável nos utilizadores ativos irá certamente prejudicar as métricas das empresas, por menor que o impacto seja”, afirma, dando conta de que desinstalar as respectivas aplicações poderá ser uma maneira adicional de enviar uma mensagem.

“As redes sociais irão registar um número invulgar de desinstalações, chamando atenção ao problema”, conclui, alertando que os utilizadores podem reclamar que as grandes empresas recolham os seus dados e fazem o que querem com os mesmos. Contudo, salienta, “nós é que escolhemos utilizar essas plataformas em primeiro lugar”.

O 4Gnews considera ainda que o preço a pagar para os utilizadores terem acesso ilimitado ao Facebook e outras plataformas é a cedência de dados, posteriormente utilizada para gerar receitas à empresa.

Portugueses processam Facebook e pedem 1,2 mil milhões

Recorde-se que a Cambridge Analytica, empresa de análise de dados britânica, acedeu indevidamente, em dezembro de 2015, aos dados de 87 milhões de contas, ainda antes do caso ter sido revelado na imprensa pela primeira vez, em março de 2018.

Quando foi conhecido o escândalo envolvendo a Cambridge Analytica, a DECO e as suas congéneres da Bélgica, Espanha e Itália reuniram com a empresa Facebook, que prometeu na altura a estas associações de consumidores, avaliar uma possível compensação dos utilizadores cujos dados tenham sido abusivamente utilizados.

A Deco é a responsável por uma acção judicial por uso indevido de dados contra a rede social, que pede uma indemnização média de 200 euros para cada utilizador. Em maio de 2018, a rede social norte-americana admitiu que até 63 mil portugueses podiam ter sido vítimas de roubo de dados pela Cambridge Analytica. Contas feitas o valor reclamado ascende a 1,2 mil milhões de euros.

A utilização de dados sem o consentimento dos clientes, de que o escândalo da Cambridge Analytica é um dos principais exemplos, refere-se ao acesso aos dados de milhões de utilizadores do Facebook por esta empresa, que tentou “influenciar o comportamento eleitoral dessas pessoas a favor do Presidente Donald Trump”.

A rede social norte-americana Facebook foi multada pelo Reino Unido em 560 mil euros por ter permitido a “violação” das leis sobre proteção de dados pessoais através da empresa Cambridge Analytic.

Já depois deste escândalo, em outubro de 2018, a rede social Facebook revelou, em comunicado, que piratas informáticos acederam aos dados de 29 milhões de utilizadores para roubar informação, um número inferior ao que inicialmente acreditavam ter sido afetados na violação de segurança.

Segundo o comunicado, citado pela imprensa internacional, os hackers acederam a nomes, endereços de e-mail ou números de telefone dessas contas. A cerca de 14 milhões de utilizadores, foram ainda roubadas informações como a cidade natal, a data de nascimento, os últimos 10 locais que frequentaram ou as 15 pesquisas mais recentes.

A rede social número um é o Facebook com a plataforma criada por Mark Zuckerberg em 2004 a estar envolvida em várias polémicas relacionadas com a privacidade, mas continua a liderar o ranking como a maior rede social do mundo com 1,56 mil milhões de utilizadores ativos diários e 2,38 mil milhões mensais, indicam os resultados da companhia relativos ao primeiro trimestre deste ano. Em média, são criadas cinco contas a cada segundo. Em Portugal, 95,1% dos utilizadores de redes sociais tem conta no Facebook, de acordo com o estudo da Marketest Consulting – Os Portugueses e as Redes Sociais 2018.


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