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Festivais de verão: Preços mais baixos e mais diversidade

Os festivais de verão estão de regresso, após terem atraído cerca de 1,5 milhões de pessoas em 2018, e as organizações desdobram-se em estratégias que passam por cartazes com novas estrelas musicais, e outros a apelar à nostalgia, aliados à aposta em novos conteúdos e palcos. Outros festivais investem na criação de uma identidade mais forte e na mudança de recinto.
21 Julho 2019, 17h00

São cada vez em maior número, mais diversificados e… a um preço mais baixo. A indústria dos festivais de verão não para de crescer e 2019 trouxe uma novidade que promete tornar os festivais ainda mais convidativos: um corte de 13 para 6% no IVA sob os espetáculos.

Esta redução, inscrita no Orçamento do Estado para este ano, traduz-se, em termos práticos, numa descida significativa no preço dos bilhetes para assistir aos concertos e juntar-se à ‘tribo’ de festivaleiros. Enquanto o preço desce, a quantidade e tamanho dos festivais aumenta e não faltam opções para todos os gostos. Difícil só mesmo a escolha.

O VOA – Heavy Rock Festival deu o tiro de partida esta quinta-feira, dia 4, para mais uma maratona de festivais de verão. O evento, considerado um dos melhores do país no que ao metal e ao heavy rock diz respeito, mudou-se este ano da vila de Corroios, no Seixal, para o Altice Arena, em Lisboa. Depois de a banda sueca Arch Enemyos e os norte-americanos Slipknot e Trivium terem subido ao palco, é a vez de norte-americanos Slayer e Lamb of God elevarem a temperatura esta sexta-feira no Altice Arena, misturando o thrash metal californiano com a nova onda do heavy metal norte-americano. Seguindo as pisadas da banda Rasgo (que atuaram no primeiro dia), também os portugueses Moonspell e os W.A.K.O vão representar o contingente nacional no VOA.

Não muito longe do Estádio do Restelo, outro festival vai trazer, durante dois dias, reggae ao areal da Praia de Carcavelos. Inserido no circuito mundial do género musical jamaicano, o MUSA Cascais começa esta sexta-feira, dia 5. Embora se tenha estreado, em 1999, como um evento de Música Urbana e Sons Alternativos – daí a sigla MUSA –, os sons alternativos foram perdendo espaço para o reggae, que é hoje a imagem de marca do MUSA Cascais.

Face a isso, o cartaz é composto quase exclusivamente por nomes fortes do reggae nacional e mundial como Morgan Heritage (na foto), Samory I, Orlando Santos, Horace Andy, Maneva, Capleton, Dub Inc, Mato Seco, Fantan Mojah e Queen Africa. O MUSA Cascais prolonga-se até sábado, dia 6, com o cantor e produtor português Joydan, de Paço d’Arcos, a ter as honras de encerrar o festival.

Enquanto decorre o MUSA Cascais, na praia de Carcavelos, o Sumol Summer Fest propõe levar o reggae também à Ericeira. Contrariamente ao MUSA Cascais que tem vindo a concentrar o programa no reggae e nos ritmos jamaicanos, o Sumol Summer Fest tem procurado alargar o cartaz, fazendo-o chegar ao hip hop e à música eletrónica. Entre os artistas anunciados para o festival na Ericeira deste ano está o norte-americano rapper Young Thug. A ele juntam-se outros como Brockhampton, Sam The Kind, Holly Wood, Deejay Telio e Karetus.

Para quem gosta mais de jazz, a cidade de Cascais vai transformar-se durante um mês na capital internacional do estilo de música iniciado pelas comunidades negras de New Orleans e de outros estilos musicais nele inspirados. A 16.ª edição do EDP Cool Jazz começa na terça-feira, dia 9, e leva ao palco do Hipódromo Manuel Possolo a banda de hip hop norte-americana The Roots e os portugueses do soul e funk HMB. Até ao fim de julho, o festival vai trazer a Cascais dezenas de concertos e vários artistas conhecidos do grande público: Jessie J, Diana Krall, Jamie Cullum, Tom Jones, The Black Mamba e Snarky Puppy Jacob Collier.

Julho traz também o regresso do NOS Alive ao passeio marítimo de Algés, em Oeiras. O festival, que é um dos maiores em termos de bilhetes vendidos e do número de palcos disponibilizados, começa a dia 11 e prolonga-se até dia 13. Sem ter um público específico, o NOS Alive aposta em agradar a todos os gostos. O primeiro dia do festival tem como cabeça de cartaz os britânicos The Cure, que atuam no palco principal. No mesmo dia, em palcos secundários, atuam também Jorja Smith, Hot Chip, Weezer e Ornatos Violeta. Os restantes dias vão ser marcados pelas atuações dos Vampire Weekend, Gossip, Tash Sultana, H.E.R., The Smashing Pumpinks, Bon Iver, The Gift, The Chemical Brothers e Thom Yorke. O palco de comédia vai também regressar ao NOS Alive, juntando nomes como Andrew Lawrence, Fernando Rocha, Nilton, Diogo Faro e Ana Garcia Martins (A Pipoca Mais Doce).

Na quinta-feira, dia 18, é a vez do Super Bock Super Rock dar música aos festivaleiros. Este ano, o precursor dos grandes festivais em Portugal regressa à Herdade do Cabeço da Flauta, em Lisboa, depois de quatro edições no Parque das Nações. Nos três dias do festival, vão subir ao palco artistas como Lana Del Rey, Cat Power, The 1975, Phoenix, Calexico and Iron & Wine, Migos, Janelle Monáe e Disclosure, entre outros. Um pouco mais a sul, o FMM Sines traz as músicas do mundo à vila da costa alentejana e à aldeia de Porto Covo. De 18 a 27, o festival traz artistas do Reino Unido, Líbano, Coreia do Sul, Nigéria, Brasil, Moçambique, Costa do Marfim, França, Estados Unidos, Jamaica, Palestina, Colômbia e Síria.

A norte, o MEO Marés Vivas muda de localização da Praia do Cabedelo, junto à foz do Douro, para a Antiga Seca do Bacalhau, em Vila Nova de Gaia. A organização do evento garante, no entanto, que “os acessos ao novo recinto serão em tudo semelhantes ao do ano anterior”. Depois de os Snow Patrol terem cancelado a participação no festival, o cartaz do MEO Marés Vivas é composto por nomes como Keane, Kodaline, Sting, Mishlawi, Ornatos Violeta, HMB e Carlão. Está ainda previsto um outro festival da MEO de 6 a 10 de agosto: o MEO Sudoeste. O festival é um chamariz para quem procura um cardápio musical diversificado, que vai do pop ao hip hop. No cartaz do festival destacam-se nomes como o de Post Malone, Rita Ora, Anitta, Steve Aoki, Years & Years, 6blak, Russ e Joss Stone.

O festival Jazz em Agosto leva à Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, ritmos mais irreverentes do jazz contemporâneo internacional, apresentadas por músicos de ambos os lados do Atlântico. O centário político internacional controverso é o pano de fundo para o evento, que decorre entre os dias 1 e 11 de agosto, destacando-se no cartaz nomes do designado “jazz de combate”. É o caso de Marc Ribot, que vai atuar no primeiro dia do festival, o quarteto Burning Ghosts e Mary Halvorson.

De volta à Quinta do Ega, em Aveiro, entre os dias 8 e 11 de agosto, está o Vagos Metal Fest. Embora o género musical deste festival seja apenas metal, o cartaz deste ano é bastante diversificado. Há death metal, black metal, trash metal e por aí em diante. Os quatro dias de espetáculo vão trazer ao palco nomes como os suecos Candlemass, os Six Feet Under dos Estados Unidos, os noruegueses Satyricon e a banda finlandesa Stratovarius. Nas mesmas datas, decorre em Tomar, o festival Bons Sons, em Cem Soldos. Tiago Bettencourt, Júlio Pereira, Luísa Sobral, Helder Moutinho, Budda Power Blues & Maria João, Dino D’Santiago, Pop’Dell Arte, Moullinex, X-Wife, Três Tristes Tigres são os artistas que vão marcar presença.
Para os amantes do rock, o Vodafone Paredes de Coura regressa a Viana do Castelo entre14 e 19 de agosto. O evento começou em 1993 como um pequeno festival, mas hoje é um dos maiores do género a nível nacional. Do cartaz do festival fazem parte nomes como os New Order, Patti Smith, The National, Spiritualized, Father John Misty, Suede, Car Seat Headrest e muitos outros que prometem levar o melhor do rock à Praia Fluvial do Taboão.

Já o parque urbano da Costa da Caparica, em Lisboa, prepara-se para uma nova edição do Sol da Caparica. O festival decorre entre 15 e 18 de agosto e, tal como já nos foi habituando desde a criação, em 2014, aposta num cartaz com música, sobretudo, em português. No palco vão atuar artistas como Anselmo Ralph, D.A.M.A., David Carreira, Linda Martini, Matias Damásio (dia 15), Carlão, Seu Jorge, Mariza, Luís Represas (dia 16), Boss AC, Richie Campbell, Gabriel O Pensador e Capitão Fausto (dia 17). O último dia será dedicado às crianças e vai contar com o espetáculo de Mão Verde, O Recreio da Anita e Portatuka.

Agosto termina com mais dois festivais antes de chegar setembro e o regresso, para muitos, à rotina: o EDP Vilar de Mouros e o Festival do Crato. O festival de Vilar de Mouros é o mais antigo em Portugal (apesar de ter sido descontinuado várias vezes) e promete quatro dias de festa, entre 22 e 24 de agosto. Para celebrar os 50 anos de existência, a edição deste ano traz ao palco os Manic Street Preachers, Prophets of Rage, Killing Joke, Skunk Anansie, The Sisters of Mercy e The House of Love. Já o Festival do Crato, que começou por ser um espetáculo de vila e que se sagrou entretanto um dos festivais portugueses mais conhecidos, vai ter lugar entre 27 e 31 de agosto. Gavin James, Gentleman, Ivete Sangalo, Dillaz e Fernando Daniel são as apostas da organização para esta edição. Foi ainda preparado um logótipo novo a refletir a vontade da organização do festival em “renovar e criar uma identidade própria e forte”, atraindo cada vez mais visitantes ao concelho do Crato.

Artigo publicado na edição nº 1996, de 5 de julho, do Jornal Económico


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