O líder da Liga e o ministro italiano do Interior, Matteo Salvini, dinamitou o governo de coligação com o Movimento 5 Estrelas (M5S), depois de avançar com uma moção de censura contra o primeiro-ministro Giuseppe Conte – que ele próprio convidou para o cargo no ano passado. Este sábado, Salvino disse num ato público do partido que quer que os deputados votem a moção “antes de 15 de agosto”.
Com o Partido Democrata a anunciar já que não vai apoiar Conte, o país deixará de ter governo até à próxima quinta-feira – mas o mais certo é que o presidente da República, Sergio Mattarella, não faça desde já a vontade a Salvini: antes de convocar novas eleições, é possível que o país regresse ao sítio do costume – governos de iniciativa presidencial.
Mas esta é também apenas a segunda opção. Segundo a imprensa transalpina, Mattarella poderá tentar convencer o M5S – que ganhou as eleições de 4 de março do ano passado – teste a possibilidade de engendrar uma nova coligação, sendo esta a primeira alternativa para a resolução da crise. A hipótese tem apenas uma saída: um governo entre o M5S e o Partido Democrata, do antigo primeiro-ministro Matteo Renzi – que os analistas consideram remota, mas mesmo assim não impossível.
E é tão possível que Salvini já insistiu com Mattarella para que não caia no erro de promover uma coligação sem qualquer capacidade para governar o país de forma sustentada. O Presidente, um democrata-cristão da velha guarda, não parece disposto a resolver a crise de forma a ‘oferecer’ o lugar de primeiro-ministro a Salvini – o que por certo sucederia num cenário de eleições antecipadas, e é por isso que tentará tudo antes de lançar o país em mais um ato eleitoral.
De qualquer modo, não será fácil convencer os democratas em avançarem para uma coligação com o M5S. durante o fim-de-semana, a subsecretária do PD, Paola de Micheli, disse, citada pela imprensa, que “as condições políticas para um novo governo não existem, pelo menos com o PD – esta é a linha da direção nacional do partido, aprovada por unanimidade”.
Por seu turno, Salvini faz tudo para que Mattarella marque eleições o mais rapidamente possível, multiplicando a sua aparição em comícios que são já claramente eleitorais. Na noite de sexta-feira, pediu aos parlamentares, que estão de férias, que suspendam as suas atividades extra-políticas e regressem a Roma para votarem a moção de censura.
Mas as coisas não estão a correr tão bem como Salvini pensava. Segundo a imprensa, o líder da Liga foi recebido, num evento no sábado, com vaias bem sonantes, cartazes onde se lia ‘o sul não perdoa e ‘quando Salvini fala, o IVA aumenta’ e gritos que o chamavam de ‘racista. Uma mulher chegou mesmo a atirar-lhe com um copo de água. Tudo isto, diz a imprensa, foi recebido com um sorriso benevolente por parte de Salvini.
Luigi Di Maio, o l+ider do M5S – que ao contrário de Salvini se tem tentado manter fora dos holofotes, respondeu por via de Facebook, numa mensagem onde acusa o ‘sócio’ de coligação de egoísmo. Mas não ficou por aí: revelou que o M5S vai recolher assinaturas para pedir uma votação urgente no Parlamento sobre a reforma promovida pelo seu partido (para reduzir o número de deputados e senadores), o que inevitavelmente inevitavelmente atrasaria a votação da moção de censura de Salvini.
Tagus Park – Edifício Tecnologia 4.1
Avenida Professor Doutor Cavaco Silva, nº 71 a 74
2740-122 – Porto Salvo, Portugal
online@medianove.com