A Deloitte está prestes a iniciar a auditoria especial à venda de créditos malparados e imóveis do Novo Banco, que só nos primeiros nove meses do ano obrigaram ao registo de mais de 700 milhões de euros em perdas com esses ativos. A auditoria especial, que foi ordenada pelo Governo após o Novo Banco ter pedido mais de mil milhões ao Fundo de Resolução, vai avaliar, entre outras coisas, se aquelas perdas se justificam.
Poderia o Novo Banco adiar a venda de alguns ativos ou tentar recuperar determinados créditos mais tarde, de maneira a não ser obrigado a registar perdas desta dimensão e a pedir menos dinheiro ao Fundo de Resolução?
Só a auditoria da Deloitte poderá responder a esta e a outras questões, mas uma coisa é certa: o acionista privado do Novo Banco, o fundo americano Lone Star, está em Portugal para ganhar dinheiro e não pela belas vistas ou pela simpatia das nossas gentes. Se puder limpar os ativos ‘tóxicos’ com a ajuda dos contribuintes e dos próprios concorrentes do Novo Banco, dentro da lei e das regras que foram definidas no acordo de venda, com certeza que o fará. E quando um dia puder vender o Novo Banco, mais saudável, leve e enxuto, o Lone Star vai encaixar bastante mais do que os mil milhões de euros que ali investiu. É para estas operações que estes fundos existem e esperar o contrário seria ingenuidade.
Responder-me-ão que, de outra forma, não teria sido possível encontrar um comprador para o Novo Banco, em 2017.
Provavelmente é verdade. Porém, na semana em que ficamos a saber que o Orçamento do Estado para 2020 contempla mais uma verba de 600 milhões de euros para recapitalizar o Novo Banco, é impossível não nos interrogarmos se, afinal, os críticos da venda do chamado “BES bom” não estavam certos.



