O lançamento de uma canal digital para promoção do seguro automóvel da MAPFRE não irá deixar de fora a rede tradicional de mediação,
garante o diretor coordenador comercial da companhia. Pablo González explica que o cliente pode comprar o seguro no canal que preferir, ao
mesmo preço e com as mesmas garantias
Que motivações levam a MAPFRE a avançar com este reposicionamento no ramo Automóvel? O digital veio para ficar?
Não diria que estamos perante um reposicionamento. O que estamos é a procurar reforçar a nossa presença em todos meios e plataformas, através das quais os clientes podem contactar com a nossa oferta. As mudanças que se observam ao nível do comportamento dos consumidores, aos mais diversos níveis, impõem que o digital ganhe cada vez mais importância na relação destes com as empresas. A nossa proposta de valor é, neste aspeto, claramente diferenciadora, pois colocamos efetivamente o cliente no centro de decisão. Queremos dizer com isto que o cliente, quando está à procura de informação sobre o seguro automóvel, fá-lo cada vez mais através de novas plataformas, mas a compra mantém-se maioritariamente através de canais presenciais. O cliente, de acordo com a sua preferência, poderá escolher o canal onde pretende finalizar a compra. Neste sentido, a nossa presença digital nada tem a ver com as experiências de criação de novas marcas ou de comercialização de produtos “low cost”, mas sim permitir associar a presença digital ao processo de compra do seguro automóvel, onde o canal de mediação terá um papel decisivo.
Que trabalho têm feito para não deixar a rede de mediação fora desta aposta?
A nossa rede de mediação é parte integrante e fundamental neste processo. O que estamos a implementar é de certa forma replicar o nosso conceito de loja de seguros no mundo virtual. A campanha de seguro automóvel MAPFRE que estamos a fazer reforça, em primeiro lugar, os nossos mediadores. Para além disso, acreditamos que a nossa presença no digital aliada à mediação é inclusivamente um fator diferenciador no mercado português.
Teme a reação negativa da rede de mediação?
Estamos neste processo em conjunto com a nossa rede de uma forma transparente. Não estamos a criar uma marca própria para o negócio direto e digital, como outras seguradoras fizeram, nem sequer temos, como poderemos ver melhor, um produto exclusivo para subscrição online. Estamos convictos que a rede percecionará a mais valia de indução de negócio que poderemos ter por este meio, pois estamos a chegar a determinados segmentos de clientes que privilegiam a procura de informação no digital e aos quais hoje não conseguíamos chegar no modelo tradicional de distribuição.
A simplificação da oferta automóvel é obrigatória quando se avança para o digital?
Os nossos produtos são adaptados aos tipos de cliente e aos canais de distribuição. A simplificação consegue-se não apenas através do tipo de produto, mas pela forma como é comunicado. É fundamental oferecer aos clientes uma experiência boa e intuitiva em termos de usabilidade, clareza na explicação e conveniência, de forma a que o resultado vá ao encontro das suas expectativas. A proximidade, fundamental para gerar confiança nos nossos clientes, continua a ser um dos atributos principais da nossa marca e, neste modelo, continuamos a reforçar este compromisso com os nossos parceiros na distribuição.
No meio desta multiplicidade de canais, o preço vai ser coincidente em todos eles? Ou comprar o seguro da MAPFRE num canal digital poderá ser mais barato do que fazê-lo através do mediador?
O nosso princípio é o de que os produtos e respetivos preços são iguais, independentemente da forma como o cliente chega até nós. Temos diversos produtos de seguro automóvel para diferentes perfis de clientes, com diferentes “mix” de coberturas e preços competitivos, independentemente do canal onde o cliente finaliza a compra.
Ter um preço de seguro automóvel competitivo é uma prioridade para a MAPFRE?
Ter um preço competitivo é hoje fundamental na oferta de qualquer produto ou serviço. O que fizemos com o lançamento do NETAUTO, onde continuamos a ter o nosso produto âncora MAPFRE Auto, foi criar uma oferta específica para um determinado segmento de clientes, que privilegiam o digital na procura de soluções, mas que o podem comprar presencialmente na nossa rede de agentes.
Como tinha evoluído o resultado técnico do ramo automóvel na MAPFRE em 2013? Que expectativa de evolução têm para este ramo em 2014?
A situação económica não tem ajudado aos resultados do mercado segurador e do ramo automóvel em particular. De facto, os resultados têm-se degradado e o prémio médio tem caído ao longo dos últimos anos. Na MAPFRE procuramos um compromisso entre o desenvolvimento comercial necessário à implementação do plano de crescimento que temos para Portugal e a sustentabilidade técnica da nossa operação. Temos um compromisso não só com os nossos acionistas, como também com os nossos parceiros de distribuição e clientes. Por isso, é para nós fundamental ter uma operação sustentável e com resultados de exploração equilibrados.
Ana Santos Gomes / OJE
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