E a verdade é que a velocidade com que as novas tecnologias entram nas nossas vidas e a mudança que se está rapidamente a operar sobretudo nas camadas mais jovens, reforçam a importância de se estabelecer um elo forte entre as diferentes gerações, de forma a potenciar uma relação win-win.
Não somos por isso apologistas de estereotipar características positivas ou negativas em função do factor idade. Mas é do senso comum que a juventude normalmente transporta consiga alguma irreverência e vontade de “mudar o mundo”, o que por si só deixa transparecer flexibilidade para a mudança. Por outro lado, as gerações mais velhas, transportam consigo a experiência acumulada e os benchmarks de sucesso e insucesso do passado, aspecto que constitui uma mais-valia incontestável para lidar eficazmente com os desafios do dia-a-dia.
Acima de tudo temos de ter consciência que as novas tendências e padrões de comportamento, nomeadamente dos consumidores, parecem estar a ter um impacto no mercado profissional, na medida que estão a revolucionar algumas cadeias de valor de negócio, nomeadamente no sector dos serviços, obrigando a repensar os respectivos modelos de gestão. Assim, é natural que as gerações mais novas possam trazer um input fundamental ao negócio, na medida que estarão mais próximos das novas tendências. Por outro lado, é conhecida a tradicional resistência à mudança, que muitas vezes tende a caracterizar as gerações menos jovens, habituadas a trabalhar dentro da sua zona de conforto.
Será um desafio para as empresas acompanharem esta evolução do mercado e o primeiro passo poderá passar por dar oportunidade às pessoas que entram (sejam trainees ou profissionais com mais experiência), de privar e aprender com várias pessoas/áreas funcionais diferentes, tirando proveito das experiências acumuladas e vivências de quem já está há mais tempo na empresa.
Acredito também que se torna premente ajustar os perfis definidos na área do recrutamento para tirar o maior proveito possível desse conjunto de profissionais com larga experiência acumulada e que poderão claramente representar mais-valias para as empresas que neles venham a apostar. Por outro lado é fundamental criar-se o awareness nas gerações mais velhas da necessidade premente de actualização constantes dos seus conhecimentos técnicos e da nova tendência de disseminação quase instantânea e global de qualquer tipo de informação.
Correndo o risco de cair num enorme lugar-comum, penso que o desafio para todos os profissionais (mais ou menos jovens) é conseguirem adaptar-se a um contexto profissional caracterizado por um ritmo muito intenso e pela mudança constante. Talvez este contexto venha a obrigar que nos reinventemos com maior frequência, para conseguirmos manter uma carreira activa durante mais anos.
Tal desafio exigirá cada vez mais a consolidação de um conjunto de competências pessoais/profissionais indispensáveis aos tempos modernos, como por exemplo: Capacidade de Aprendizagem Contínua e Ágil; Proactividade; Flexibilidade e Adaptação à Mudança; Capacidade de Atenção Distribuída; Capacidade de trabalhar sobre pressão e ritmos intensos, entre outros.
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