“Quando capaz, finja ser incapaz; quando pronto, finja estar despreparado; quando próximo, finja estar longe; quando longe, façam acreditar que está próximo.”
O imprevisível Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, parece ser adepto desta máxima. Trump apanhou o mundo de surpresa com um ataque relâmpago à Síria e mantém tudo em aberto na Coreia do Norte, deixando no ar a possibilidade de um ataque militar mas sem abrir o jogo de antemão, para que, segundo diz, “eles não se preparem para isso”.
O problema desta estratégia de Trump é que, de tão imprevísivel, pode levar ao deflagrar de um conflito mundial em apenas 15 minutos. Até porque no tempo de Sun Tzu não existiam armas nucleares. As táticas à Sun Tzu podem resultar no competitivo mercado imobiliário nova-iorquino, mas quando é o destino da Humanidade que está em jogo, seria aconselhável mais previsibilidade e sangue frio. Até porque, como dizia Sun Tzu, “quando cercar o inimigo, deixe-lhe uma saída, pois caso contrário ele lutará até a morte.” Esta frase assenta como uma luva no braço-de-ferro de Trump com o ditador norte-coreano.
2. A Justiça continua a investigar os empréstimos problemáticos concedidos pela Caixa Geral de Depósitos e já tem na sua posse a lista dos principais devedores, tal como o Jornal Económico avança nesta edição (ver página 4). Em causa, é bom lembrar, estão créditos que causaram imparidades superiores a três mil milhões de euros. Esperemos que a Justiça faça o seu trabalho e que, a existirem responsabilidades, as mesmas sejam apuradas. Mas se as mesmas não existirem, que a Justiça a não deixe suspeitas no ar.
3. Depois da inédita “paz social”, a CGTP volta a dar sinais de vida e promete “intensificar” as ações de protesto. Estão previstas mais de 60 greves em setores como a saúde, a cultura, os transportes e a administração pública, numa altura em que as sondagens revelam um crescimento das intenções de voto no PS. Com António Costa a anunciar que, se vencer as próximas eleições com maioria absoluta, pretende voltar a entender-se com o PCP e o Bloco, a esquerda portuguesa está sob pressão para mostrar ao eleitorado que continua a defender os interesses dos trabalhadores. Vêem aí tempos interessantes na política portuguesa e na dinâmica da chamada “geringonça”. E com o défice em níveis historicamente baixos (o de 2016 foi revisto para 2%) e a narrativa da vinda do diabo cada vez mais difícil de sustentar, o que vai fazer o PSD de Passos Coelho, após as autárquicas?



