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Trump assume culpa: dólar está demasiado forte “porque eu inspiro muita confiança”

Trump mudou de discurso e defende, agora, taxas de juro baixas e um dólar mais fraco. Até Janet Yellen poderá ter caído nas boas graças do presidente e a hipótese de ser renomeada para a liderança da Fed não é excluída.
13 Abril 2017, 10h25

O dólar está ficar muito forte, afirmou Donald Trump, mas assumiu as culpas pelas situação: afinal é ele próprio que inspira demasiada confiança nos investidores. Numa entrevista ao “Wall Street Journal”, publicada esta quinta-feira, o republicano explicou também que gostaria de continuar a ter taxas de juros baixas nos EUA. A recuperação robusta da economia norte-americana e os planos fiscais e de infraestruturas podem ser também obstáculos aos desejos do presidente.

“Penso que o dólar está a ficar demasiado forte e isso é, parcialmente, culpa minha porque há muita confiança em mim”, disse Trump ao WSJ, causando uma descida das yields das Treasuries e do dólar durante o início da manhã. “Mas isso é prejudicial e vai, em última análise, continuará a ser prejudicial”, afirmou o presidente que tem tido dificuldades em cumprir as promessas ambiciosas da campanha.

Um dólar mais fraco iria beneficiar as exportações, tornando o país mais competitivo. Da mesma forma, Trump iria conseguir cumprir as promessas eleitorais de reduzir o défice comercial e impulsionar a indústria norte-americana.

No entanto, manter a moeda com um valor baixo é exatamente o que Trump acusava países como a China de fazer. “É muito, muito difícil de competir quando se um dólar forte e outros países desvalorizam as suas moedas”, disse. Mas já não aponta o dedo à China e afirmou que o país, afinal, não é “um manipulador de moeda”.

Trump falou também sobre a política monetária no país e afirmou que é preferível uma política de baixas taxas de juro, numa altura em que a Reserva Federal norte-americana já subiu uma vez as taxas este ano e prevê fazer mais duas subidas ainda este ano. Aliás, desde as eleições presidenciais, a instituição liderada por Janet Yellen já fez dois aumentos, justificados pela robustez do mercado de trabalho.

A posição do presidente sobre o assunto representa uma inversão face ao que dizia no final do ano passado. Ainda durante a campanha, Trump acusava Yellen de manter as taxas de juro em mínimos para beneficiar a anterior administração. Aquando da primeira subida, Trump elogiou a decisão, uma posição diferente da que tem agora.

Surpreendente foram também as declarações sobre a presidente da Fed. É pública a relação problemática entre Trump e Yellen, cujo mandato termina no próximo mês de fevereiro. O presidente dos EUA já tinha dito que iria preferir um substituto republicano para ocupar o cargo. Questionado pelo WSJ sobre a possibilidade de Yellen continuar à frente da Fed no final deste mandato, Trump respondeu “she’s not toast (não está acabada)”, adiantando que respeita a presidente do banco central e que “é cedo demais” para sobre o próximo mandato.

 


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