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É isto que eu faço”: o fotojornalismo no feminino

Continua a haver ofícios que são maioritariamente masculinos, por vezes em áreas sobre as quais não se pensa muito, e em que as poucas mulheres que conseguem sobressair têm de ser particularmente tenazes.
28 Abril 2017, 17h52

É o caso dos repórteres fotográficos de guerra. A fotojornalista norte-americana Lynsey Addario é um desses exemplos e a qualidade do seu trabalho mereceu-lhe diversos prémios, entre eles o Pulitzer, em 2009, por uma reportagem denominada “Talibanistan”, publicada na New York Times Magazine. Para além do The New York Times, Addario colabora regularmente com as revistas Time e National Geographic.

Tendo iniciado a sua profissão de fotógrafa em 1996 no jornal argentino Buenos Aires Herald, sem qualquer formação na área, no final do século passado já trabalhava na Associated Press, em Nova Iorque. Três anos depois mudou-se para Nova Deli, na Índia, como correspondente do Houston Chronicle, The Boston Globe e do Christian Science Monitor. Na sua primeira viagem ao Afeganistão, em 2000, documentou a vida das mulheres sob o regime talibã. Seguir-se-iam ainda mais duas viagens ao país antes do 11 de Setembro onde, recorde-se, era ilegal fotografar seres vivos. Desde aí, tem feito a cobertura de vários conflitos e crises humanitárias, do Iraque ao Darfur, da Síria ao Congo, passando ainda pela Ucrânia, Somália, Sudão do Sul ou Líbia, onde foi raptada em 2011.

Os seus trabalhos mais recentes incluem um documentário intitulado “Finding Home”, filmado ao longo de um ano, sobre três famílias de refugiados sírios, com os seus filhos apátridas, que aguardam autorização de asilo na Europa, e uma fotoreportagem para a revista da National Geographic, com texto de Cynthia Gorney, sobre a nova vida das mulheres sauditas; “The Changing Face of Saudi Women” mostra-nos como a crescente população feminina universitária tem forçado alterações nas relações sociais na Arábia Saudita, nomeadamente ao abrir a possibilidade de mais mulheres, e com mais qualificações, acederem ao mundo do trabalho.

“É Isto Que Eu faço. Uma vida de amor e guerra” é um livro de memórias em que Lynsey Addario escreve sobre a sua vida profissional e pessoal. Nele explica que nem todos os fotógrafos de guerra são viciados em adrenalina, tratando-se antes de uma vocação, e que agora que é mãe evita as frentes de batalha, sobretudo no Médio Oriente; em África, onde, afirma, a santidade dos jornalistas ainda é respeitada, sente-se maior confiança em trabalhar.

Estas e outras histórias podem ser lidas no livro – que inclui também algumas fotos – agora editado em português pela Marcador e que está a ser adaptado para o cinema por Steven Spielberg.

A sugestão desta semana da livraria Palavra de Viajante


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