Um estudo desenvolvido para o Forum para a Competitividade considera que a mobilidade é uma oportunidade para Portugal desenvolver um cluster, mas que, para que isso aconteça, é importante que o Estado atue como promotor dos novos modelos de negócio e não restrinja o empreendedorismo e a inovação.
O Relatório Portugal – Uma Estratégia para o Crescimento, do Forum para a Competitividade, sustenta que Portugal tem condições para ter um cluster económico de mobilidade, “construído sobre negócios já existentes e sobre futuros negócios”.
Baseando-se nas competências da economia nacional neste domínio – da Via Verde aos investimentos na indústria (caso da Autoeuropa), passando pela criação da rede nacional de carregadores para veículos elétricos –, o Forum para a Competitividade acredita existirem oportunidades de negócio a serem exploradas no âmbito da mobilidade, nomeadamente no desenvolvimento de soluções e/ou plataformas de Mobility as a Service, mas também noutros domínios. Entre as recomendações dadas pelo grupo de trabalho estão a aposta em soluções de montagem e substituição rápida de baterias em veículos elétricos, mas também o estabelecimento de centros de assistência pós-venda para estes veículos. A generalização de sistemas ADAS de apoio à condução abre também novas oportunidades a serem exploradas, tanto na calibragem como na reparação, “sobretudo quando a condução autónoma passar a ser comum e com enquadramento legal”.
Assim, num mercado em transformação e que deverá ser cada vez mais aberto e competitivo, o papel do setor privado é decisivo, criando novos modelos de negócio que respondam às novas necessidades dos consumidores. Mas, para que tais esforços sejam frutuosos, o Estado não deve – no entender deste estudo – restringir o empreendedorismo ou a inovação, assumindo antes o papel de seu promotor, legislando de forma a criar condições que permitam às empresas antecipar as tendências do mercado e explorar os novos modelos de negócio da mobilidade.
As conclusões do Estudo apontam para que o Governo deva garantir uma política de concorrência que distinga entre concorrência pela operação de novos serviços e a concorrência entre produtos industriais, mas também a renovação das infraestruturas, nomeadamente no que respeita a redes de carregamento de veículos elétricos, e, ainda, a criação de legislação que permita a circulação de veículos autónomos em certas zonas.
Caberá também ao Estado não descurar um planeamento urbano que facilite a deslocação dos transportes públicos nas cidades, bem como garantir a proteção dos dados pessoais dos utilizadores, uma vez que uma atuação menos conseguida nesta matéria pode constituir uma limitação ao desenvolvimento de modos de partilha de informação necessários à implementação de algumas plataformas de mobilidade inteligente.
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