Aos senadores, Kushner irá explicar, através da leitura de um documento divulgado pelos advogados, os detalhes da reunião de junho do ano passado, na Trump Tower, com uma advogada russa que teria informações comprometedoras sobre Hillary Clinton, na altura adversária de Trump à presidência, relata o New York Times.
Além de ter chegado atrasado ao encontro, o genro do presidente norte-americano afirma ter achado a reunião desinteressante, recorrendo à sua assistente para o ajudar a tirar dali. Vai alegar, perante os senadores, ter ido à reunião a pedido do filho do atual presidente, Donald J. Trump Jr, e, ainda, garantir que não leu o email de Donald Jr. onde estava explícito o objetivo da reunião, ajudar à campanha de Trump, com informações negativas sobre Clinton.
Contudo, avança o mesmo jornal, Kushner admite ter tentado estabelecer uma linha direta de comunicação com Vladimir Putin, em novembro passado, após as eleições, alegando ser uma ação normal, considerando as responsabilidades que tinha na equipa de transição a ser criada antes de Trump se tornar presidente.
Relata o Times que, no documento de 11 páginas, o genro esclarece só ter tido contacto com quatro responsáveis russos no decorrer da campanha e do período de transição presidencial, mas que nenhum desses contactos foi “impróprio”. Afirma que “o facto de eu procurar formas de estabelecer um diálogo após as eleições deve, obviamente, ser visto como uma prova forte de que eu não fazia ideia de que existia antes do dia da eleição”.
No decorrer da transição, as reuniões mais controversas realizaram-se com o embaixador da Rússia nos EUA, Sergey Kislyak, o qual o genro de Trump diz ter conhecido em novembro, num encontro onde também esteve presente Michael T. Flynn, conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, e com o banqueiro russo, Sergei Gorkov.
Segundo Kushner, o embaixador russo revelou-lhe que os generais russos tinham informações importantes sobre a Síria a serem partilhadas com os EUA e ainda questionou a existência de “uma linha segura no escritório de transição para conversar”, tendo Kushner respondido que “o General Flynn e eu explicámos que não existiam essas linhas. Eu entendia que a questão Síria, tendo em conta a crise humanitária, era prioritária e também perguntei se eles tinham um canal de comunicação existente na embaixada que pudéssemos usar”.
O The Washington Post já havia noticiado o pedido, sugerindo que Kushner pretendia estabelecer um canal à margem do Governo, ainda liderado por Obama, ao que o genro de Trump afirmou nunca ter proposto um “canal secreto”.
Sobre o banqueiro russo, Kushner disse que Kislyak o descreveu como alguém que tinha “uma linha direta para o presidente russo que poderia dar uma visão de como Vladimir Putin estava a olhar para a nova administração, bem como dar pistas sobre a melhor maneira de trabalharem juntos”, cita o New York Times.
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